E assim nasce o Diário Virtual da Dona Gorda

Este ano comecei a fotografar e filmar minha avó. Sempre que perguntava histórias de sua vida ela me respondia que já estava registrando tudo em seus cadernos. Aos poucos fui conhecendo sua vida através de seus relatos escritos. Eram tantos e com tanta riqueza que num impulso sugeri a ela montar um blog para publicar seus escritos.

– O que é um blog?

– É um diário na internet, vó. Eu posso publicar seus textos lá e assim seus parentes e amigos que estão em Alagoas, Minas, Rio de Janeiro, Paraná e outras partes do mundo poderão ler e acompanhar suas histórias.

Ela achou graça e concordou com a ideia. Quando disse que o mundo todo poderia ter acesso ao diário ela enrubesceu e levou as mãos ao rosto.

– O mundo todo? Minha nossa senhora!

– Sim, vó, mas veja como será lindo, quantas pessoas entrarão em contato com seu universo e poderão conversar com a senhora. Não é todo mundo que tem o privilégio de sentar ao seu lado e folhear seus ricos cadernos. Que tal oferecermos este presente para o mundo?

É assim que eu vejo a vida. O que temos de mais rico e valioso temos que oferecer ao mundo, sendo generosos com as pessoas que amamos e mesmo as que não conhecemos. Sendo gratos pela oportunidade de estarmos vivos e atuantes. Em especial, a ideia deste espaço é compartilhar a vida da minha avó com todos da família e os amigos mais próximos.

Esse blog funcionará assim, até o momento criei dois autores:

Vovó Dina, minha avó, Fernandina Caldas Farias, assinará os textos autorais, divididos, a princípio, em três eixos: sua biografia, seus relatos de viagens e outras histórias (reais ou fictícias). Eu postarei em nome dela, com sua assinatura, pois ela está com 95 anos e por enquanto não se mostrou interessada em se aproximar do computador.

O outro autor do blog serei eu, Maíra, sua vigésima neta, filha da Siomara, sua décima filha. Sim, minha avó teve treze filhos, trinta netos e já está com mais de 20 bisnetos. Somos frutos do casamento dela com seu Anthenor, meu falecido avô, que nos deixou no começo deste ano após 74 anos de matrimônio e 85 anos de convívio com a Dona Gorda, como meu tio Araken gosta de chamá-la.

Em meu nome, assinarei posts com fotografias e vídeos de minha autoria, imagens que estou resgatando dos álbuns de família e textos contextualizando o que necessário for esclarecer. É possível que com o tempo o blog ganhe mais autores, mais pessoas querendo colaborar, com o tempo saberemos.

Os textos estão sendo transcritos pela minha tia Fernanda Anajas, com auxílio de um amigo da Nanete, que passou para o computador parte de sua viagem à Europa. Depois que sugeri o blog é que descobri que grande parte dos escritos da minha avó já estavam datilografados, o que facilita muito o projeto. Tentarei, portanto, manter o blog sempre atualizado, na medida em que for revisando os textos.

Espero que se divirtam!

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23 pensamentos sobre “E assim nasce o Diário Virtual da Dona Gorda

  1. Pingback: diário da dona gorda ‹ Maíra Soares

  2. Eliezer, não garanto um cuscus, mas talvez um bolo de mandioca, ou de fubá com coco. Queijo de coalho, não se encontra um bom aqui, o que só serve para aguçar a saudade de se comer um legítimo, daí da terrinha. Mas garanto que a alegria com que o receberemos é autêntica. Vc gostará do dedo de prosa com a Véinha. Aguardamos sua visita. É só avisar que lhe passaremos o endereço.

  3. Siomara, só hoje vim dar uma olhadinha no Blog de sua “Véinha”, como você refriu-se a Dona Fernandina, sua mãe. Eu vou tratá-lo como o Blog da “Vóinha” da Maíra.
    Que belo texto a Maíra tem. Fácil de se gostar de ler.
    Quanto ao convite para ir à casa da Vóinha, supondo que a visita seria numa hora de um café e um cuscus com ovo e queijo de coalho, pode deixar que eu avisarei que tô chegando, pelo menos com meia hora de antecedência.

  4. Maíra
    Idéia brilhante a sua de criar o blog assim conhecemos a história de vida da vó Dina. Conheci o blogo através da tia Failde minha amiga de clube. Que sempre conta causos da mãe e do pai Antenor.
    Parabéns.
    De um abraço na vó por mim.
    Bjs

  5. Parabens, emociona muito toda essa energia maravilhosa que passa dessa grande mulher que é a dona Fernadina
    É uma lição de vida

    beijos
    Luiz Veiga e filhas
    Beth e Lu

  6. Maíra vc está de parabéns por ter tido a brilhante idéia de divulgar as histórias da sua Vó.
    Lembro, quando comecei a namorar a Haydée e entrei receoso naquela mansão da Rua Altino Arantes, encontrei pela primeira vez com a Dna Fernandina que me desarmou, por ter se mostrado uma pessoa simples que desde aquele dia se tornou para mim a Dna Nanda uma pessoa doce, generosa, um exemplo de vida para todos nós. E mal sabia eu, que a partir daquele momento iria iniciar uma nova fase em minha vida…

  7. Dona Fernandina, parece que ouço-lhe contar seus infindáveis e deliciosos causos! Que vida rica, atravessando quase um século de transformações… E se eu não tivesse conhecido aos meus 17 anos essa mulher tão sensível, de olhos que vêem através daquilo que é dito, capaz de dizer sempre a verdade, poderia crer que um dia foi feia…Matriaraca, como a chamamos, a senhora nem sabe, mas me ajudou a revisitar minha relação com minha mãe, fato pelo qual nunca lhe agradecerei o suficiente.
    Maíra, parabéns por sua linda iniciativa.
    Um beijo às duas.

    Eliana Barboza (mulher do Sergio Bovo).

  8. Maíra, não te conheço, mas através da Cora, minha amiga, recebi essa riqueza, que é a história de sua avó Fernandina, a quem tive o prazer de conhecer em algumas reuniões de terça -feira; fui aluna de tarô de seu tio Rodrigo e participei de vários grupos de estudos dele. Estou emocionada com a beleza da vida de sua avó; aliás, da maneira como ela viveu a vida; apesar de dizer que era feia, triste e tímida, quanta beleza traz para nós através de seus relatos ! mande um beijo carinhoso para ela e continuem trabalhando , pois estou ansiosa pelos próximos capítulos! Eliana Mendes.

    • oi Eliana,
      obrigada pelo comentário, estou certa que minha vó vai gostar. Fique tranquila que tem muito texto engatilhado para ser postado nos próximos dias, é só acompanhar o blog.
      um beijo,
      Maíra

  9. Adorei a idéia do blog. Participo de um grupo de literatura do qual o Flávio Alberoni, um dos filhos de Dona Fernandina, faz parte. Ele deu a dica deste espaço e fiquei feliz demais de ver o quanto a família toda é criativa e amorosa uns com os outros.
    O Blog foi uma ótima idéia! Diga a sua avó que gostei demais de saber que ela tem essa energia toda para compartilhar com os ávidos leitores desse mundo!
    abraços pra vc, Maíra e para sua avó!
    Cristina ( Porto Alegre – RS)

  10. Maíra,
    Tenho muitas histórias para contar de sua avó e meu pai. Eles ficaram muito amigos, pois papai fazia uma oração, uma espécie de benzeção, e todas as pessoas que precisavam de ajuda, dona Fernandina ligava para o papai e dizia: “Seu Milton” o senhor precisa curar tal pessoa. Tinha dias que eram 3 ou 4 amigos que os dois ajudavam. Depois ela telefonava para agradecer dizendo “fulano sarou”. Pena que meu pai não existe mais. Em contrapartida, a velha e forte amizade que uniu sua família à minha, continua forte, firme e fiel. Adorei seu blog. Quero mais. Bjs
    Cleide

  11. Maíra, querida amiga nova, fotógrafa, sobrinha do meu querido amigo Agnaldo, amigo desde 1971; deixo um abraço carinhoso para sua avó querida, Dona Fernandina que tantas vezes me acolheu na casa da Altino Arantes.
    Mando um abraço para sua mãe também.
    Um salve especial para todos.
    Penna Prearo

  12. Maira,

    Que linda ideia, e que belas memorias!
    Adimiro muito essa tua generosidades em quere dividir com todos momentos tao preciosos.
    Parabens para tua avo!

    Beijoas

    Claudia

  13. Oi,Maira. Que ideia linda! Sempre achei que Mae Fernandina devia publicar suas memorias mas vc encontrou a formula ideal pois é rapida, não vai cansá-la e não impedira publicação em livro, a qualquer momento.
    Ela tem um jeito maravilhoso para descrever. Digamos que ela “pinta” o cenario com as palavras. Acho que senti até o cheiro do ingá na descrição que ela faz. Só não concordei com o fato dela dizer que era feia. Timida eu acredito mas… feia? Impossivel.Ficou lindo o blog. Vc está de parabéns. Menina competente! bjo na familia inteira. carinho Yedda

  14. Ma, tem algo errado. Só consigo ler o comentário que eu escrevi. O que o Alcides escreveu, não aparece para mim, mas aparece para ele.

  15. Maíra

    Parabéns pela iniciativa. Tem muita coisa a ser publicada, pois tem muita vida a ser contada… E é sempre interessante. Me lembro que o namoro com sua mãe estava começando e lá estava eu na casa da Dona Gorda, ensebando para ir embora…claro. Lá veio ela, com um copo de leite quente na mão: “Filho, toma isso e vai embora, que já é tarde…”. Como recusar? Tomei o leite e despedi-me. O resto, o resto, bem, são outras histórias…

  16. Ma, minha querida, que idéia fantástica! Vai ser muito bom poder dividir um pouco a pessoa maravilhosa e especial que é minha mãe.
    Sinto-me cada dia mais honrada em ter nascido nessa família, tendo por pais seu Anthenor e dona Fernandina, dois batalhadores e vencedores. Criar 13 filhos e depois, com a chegada da Aroni, 14, todos com saúde, trabalhadores, honestos, inteligentes, é uma tarefa heróica, que muito poucos conseguem cumprir.
    Um beijo enorme pra vc.

  17. Maíra, recebí, através da tua amiga e xará,o blog da tua avó.Muito lindo!!!Parabéns pelo resgate das passagens tão belas.
    bjos
    Maruska

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