Memórias da Vovó Dina – parte 2

Alfredo Oiticica era dono do Engenho Santa Clotilde (nome da esposa). Homem de estatura acima da média, tinha um bigodão e um vozeirão de meter medo. Bonachão, tolerante, dizem que bom patrão, bom pai de família, adorava a esposa e a filha mais nova que me dava uma inveja danada por ser uma bonita menina e ter uma cabeleira que lhe ia até a cintura. Toda as manhãs ou a tarde, o dr. Alfredo saía a cavalo para visitar o seu canavial. Ficava na outra margem do rio e em algumas se chegava lá.

Em uma bonita tarde algumas mulheres foram tomar o banho gostoso que era o nosso maior prazer. Todas nuas, 4 a 5 mulheres, se atiraram na água no prazer de se refrescarem do calor intenso da tarde. De repente uma delas gritou:

– Olha gente, lá vem o dr. Alfredo!

– Misericórdia, o que é que a gente faz? Gritou outra e tratou de afundar até o queixo.

Enquanto isso acontecia, desperta a curiosidade, o homem deu uma olhada e ao ver que eram mulheres tomando banho, resolveu se afastar. Neste momento a mais alvoroçada do grupo bradou:

– Não olhe dr. Alfredo, não olhe pelo amor de Deus.

E como as outras, mergulhou até o queixo. E o nosso homem, manobrou o cavalo até a beira dágua e disse:

– Eu não ia olhar. Ia embora, mas as senhoras gritaram tanto, fizeram tanto alvoroço, que resolvi ficar.

O rio de águas claras, transparentes como um espelho, refletia por inteiro os corpos das fogosas que não sabiam onde meter a cara de vergonha. E ele só se foi quando bem quis.

(continua… aguarde a próxima postagem de Minha Vida)

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3 pensamentos sobre “Memórias da Vovó Dina – parte 2

  1. Dna Dina,

    Meu nome é Ricardo (também conhecido por Kiko), amigo de infância da Ligia, filha do Sr. Araken. Sou amigo da Maíra, essa querida que a Sra conhece melhor que eu, que me contou do seu blogue pela internet.

    Seu texto é delicioso, daqueles que deixam gosto de quero mais. Este em especial, me carregou sem pressa para a beira daquele rio, como se estivesse escondido numa das margens, vendo a cena toda.

    Voltarei sempre. Espero mais.

    Abraço,

  2. Maíra
    Você descobriu uma coisa em mim que nunca imaginei. Ser escritora?!Depois de velha? Ver meus pensamentos postos em “blogs”, como se eu fosse uma grande personagem? A minha vida é de vocês. Espero no outro lado, continuar amando-os, amparando-os e sendo para vocês uma grande saudade. Um beijo da sua vovó Dina

    • obrigada minha querida,
      você viu? já estamos com vários comentários! Quero só ver, daqui a pouco a senhora vai querer aprender a mexer no computador.
      A senhora estará conosco para todo o sempre, mas sabe disso melhor que eu, não é?
      beijos e até segunda!

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