Memórias da Vovó Dina – parte 3

vov—ó An’ísia

Minhas viagens a Maceió eram poucas. A primeira que fiz foi com minha mãe, ainda bebê. Me apareceu um inflamação nos olhos que não houve remédio caseiro que curasse. Dizia minha mãe que era a única beleza que eu possuía e assim mesmo estava a pique de perdê-la. Depois de algum tempo (não sei quanto), ela resolveu com todo o sacrifício, pois dinheiro era manga de colete, me levar a algum oculista na capital. Na casa dos meus avós maternos – minha avó Anísia, avô e padrinho Agérico e os tios Idalina e José Maria. Acrescido das presenças de tia Gonda e seu marido Nicomedes. Este último foi a criatura melhor e mais paciente que conheci. Sem sorte na vida e ainda teve o azar de escolher a profissão de pintor. Se hoje não dá nada, calcula naquela época, 1900 e danou-se. Quando o azar batia feio na porta eles arrebanhavam as tralhas e pousavam durante tempo indefinido na casa pouco se lixando para a inimizade das duas irmãs.

Minha avó não conseguia perdoar a irmã que, por ocasião de seu nascimento tinha sido obrigada, aos dez anos de idade, a se retirar da escola para tomar conta da casa. Ela, Anísia, era a mais velha de 6 irmãos: Onizina, Hildegonda, Fontino, Artur, Macário. Não sei se tia Gonda era a mais nova. Só sei que esta mágoa, ou melhor, raiva contida, perdurou enquanto viveram. O pior é que quis o destino que sempre vivessem juntas. Mesmo viúvas (no mesmo dia, uma em Maceió e a outra em Rio Largo), passaram a viver como cão e gato uma ao lado da outra.

Mas….voltando a nossa história no caso da minha doença nos olhos. Em Maceió, minha avó descobriu que a doença era um brabo quebranto. Curou minha avó e tia Gonda e voltamos, minha mãe e eu tendo passado no médico. O mau olhado tinha sido curado e a “bela” criança (Deus que me perdoe o “bela’), havia voltado ao normal.

Fiz outra viagem com meu pai aos 2 ou 3 anos de idade. Ele ia dar conta do seu serviço em Maceió. Era representante da Singer por aquelas bandas de Rio Largo e adjacências e não sei se por vontade dele ou de minha mãe, o certo é que fui com ele. No comércio me embelezei por um guarda-chuva pequeno e abri o berreiro. Queria porque queria um “gada-chuvinha”. Meu pai que não podia com um gato pelo rabo, ficou em palpos de aranha para consolar o “querido” rebento. Depois chegou a vez de fazer xixi. Para um homem moço (teria uns 27 anos) se ver atropelado por uma criança nas ruas da Capital, o negócio não era nada fácil nem simples.

(continua… aguarde a próxima postagem de Minha Vida)

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