Memórias da Vovó Dina – parte 4

Até aos 8 anos não me lembro de ter voltado à casa de meus avós. Devo ter ido, pois fui batizada na Igreja de Nossa das Graças na Levada, bairro onde os velhos moravam. Mamãe na sua ingênua bondade os convidou para serem meus padrinhos. Seria um modo de pedir perdão por ter apressado a minha vinda ao mundo. Minha avó deu a desculpa de ter feito uma promessa, não sei a que santo, de não batizar criança nenhuma. Cedeu o lugar para a Nossa Senhora das Graças e meu avô exigiu a troca do meu nome. Se tivesse que ser Fernanda como minha mãe queria, ele trocaria na hora por Bernarda. Por muito favor aceitou Fernandina.

Quando meu pai, pela graça divina, conseguiu emprego na Fábrica da Companhia Alagoana de Fiação e Tecidos estava eu com 5 anos. Era 1920 e o pós guerra nos trouxe de cambalhota tudo que era doença ruim. A pior de todas, talvez, foi a célebre espanhola. Minha mãe quase morre e eu quase lhe seguia os passos.

Ester, 1922

Dessa terrível fase me lembro da tia Ester me chamando para que eu visse uma bonita boneca de louça de sua propriedade. De olhos fechados teimava em não abri-los, o que só conseguiram com a boneca. Tempos depois ganhei de uma amiga da família um boneco (chamavam cafunga) de celulóide, grande, de olhos de vidro azuis. D. Henecila tinha dois filhos e nenhuma filha. Talvez por isso se afeiçoou a mim e me presenteou de modo tão gentil. Minha mãe fez para ele duas roupas de seda: uma vermelha e outra azul. Com touca, sapatos de crochê. Uma beleza! Só havia um senão: eu não gostava de brincar de bonecas. Achava aquilo cansativo. Decerto por ser sozinha, não achava graça em estar sentada no chão mexendo com bonecos, cadeirinhas, camas e etc.

Ganhei depois do meu tio José Maria, uma linda caminha de ferro, de armar e desarmar. Um luxo. O problema era que o boneco de celulóide era grande demais para ela. Bonecas de pano me agradavam pouco. Armava os brinquedos no corredor e lá deixava. Era um custo para guardá-los. Precisava minha mãe se zangar de verdade.

(continua… aguarde a próxima postagem de Minha Vida)

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Um pensamento sobre “Memórias da Vovó Dina – parte 4

  1. Bivó era bagunceira… ahushau
    estou adorando as histórias, é um meio de eu ficar juntinho de uma pessoa que está tão longe de mim!
    beijos

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