Memórias da Vovó Dina – parte 5

Tive caxumba (papeira) que peguei dos meninos da d. Henecila. A minha papeira foi diferente, só de um lado, o direito. Tive também uma sarna desgraçada que peguei com o Zé Correia. Tinha eu 6 anos. O Zé Correia era neto de um conhecido da minha avó Januária. O velho, Sr. Gobi, estava se queixando que não sabia e que fazer para o neto estudar.

Era um pequeno fazendeiro e onde moravam não havia escola. Minha avó, muito “parida” pelos outros, ofereceu-se para que ele mandasse o menino. Deveria ter uns 8 ou 10 anos. Veio o Zé Correia sofrer os mandados da casa: “- Zé Correia vai buscar a vassoura e varre isto aqui”…e assim por diante. Foi por algum tempo o meu companheiro de brinquedos. Cheio de sarna, não deu outra, a menina ficou cheia também.

Havia um professor, ex-seminarista, que para poder sobreviver, montou um colégio só para meninos. A vovó matriculou o nosso amigo lá. Não sei porque, mas parece que o coitado tinha dificuldade em aprender ou o Sr. Ferreira (o professor) era exigente demais e ríspido também.

Um belo dia minha avó ia passando pelo referido colégio e viu o Zé Correia ajoelhado, chorando com o livro nas mãos. Ela entrou como uma fúria e perguntou ao Sr. Ferreira o que era aquilo. Ele, muito certo dos seus deveres, respondeu:

– Ele não soube a lição e o pus de castigo.

Minha avó voltou-se para o menino e disse:

– Se levante, vamos embora.

O homem protestou:

– A sra. não pode fazer isso!

E ela irada respondeu:

– Decerto que posso. Ele está sob a minha guarda e eu não admito que se dê um castigo desses a uma criança.

O pior é que quando o coitado levantou, estava ajoelhado em cima de caroços de milho. A mulher subiu as paredes. Só não bateu no professor talvez porque não pôde. Disse a ele que fizesse aquilo quando tivesse filhos.

Acho que depois de alguma negociação entre o Sr. Ferreira e d. Januária, o menino voltou ao colégio. Não me lembro quanto tempo ele ainda ficou na casa dela. Era um menino muito bom e educado. Chamava meu pai, minhas tias e tios também. Só que a minha avó era d. Januária. Esse amor pela família durou a vida dele.

(continua… aguarde a próxima postagem de Minha Vida)

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