Memórias da Vovó Dina – parte 24

Antenor Araken, aos 7 meses

Antenor Araken chegou um ano depois do primeiro filho. Foi uma fase muito difícil. Com 15 dias de nascido o menino adoeceu e eu também. Tive mastite que se transformou em 13 tumores. Praticamente perdi o seio esquerdo. Se tentasse dar de mamar, ele inflamava novamente. O Araken sofria de gastrenterite. Esteve assim durante 3 meses, até que o levamos a Maceió. Quem o curou, abaixo de Deus, foi o Dr. José Baía – que Deus o abençoe.

Durante todo esse drama de doença, meu pai, por ser membro do Integralismo, foi preso, como também meu tio Getúlio. O Anthenor para não acontecer o mesmo ficou refugiado em casa dos nossos amigos e compadres: Carmina e Manuel Lucas.

Tia Ester foi para Maceió e de lá mandava refeição para os dois que estavam na penitenciária. Tio Getúlio só ficou 15 dias preso e meu pai mais um mês. O idiota do Getúlio Vargas além de trair o enganado Plínio Salgado, deu o tal golpe de Estado e como “consolo” para o seu coração patriota, mandou que prendessem os integralistas. Se o Integralismo seria bom ou não para o Brasil, só Deus sabe. O pior foram as injustiças que praticaram. Enfim, tudo acabou, apesar do sofrimento.

Em Rio Largo fomos todos para a casa da minha avó e tias, que tinha também Juraci e tia Bertulina: Sinhá com os quatro filhos eu e os meus dois rebentos – Ariel com 1 ano e meses e Araken com 2 ou 3 meses, doente de fazer dó. Eu com o seio que não podia tocar. Lá consegui fazer um tratamento espiritual – já havia começado com outra pessoa e a moça que recebia um Preto Velho terminou o tratamento. Essa brincadeira levou cerca de 5 meses.

Quando papai e Anthenor voltaram, já havia passado mais de mês desse sufoco. Não foi fácil. Dinheiro pouco, preocupação aos montes.

Sinhá com os filhos voltaram para casa logo que o tio chegou. Desafogou mais, pois eram menos cinco para ocupar espaço, já em si tão pequeno. Eram apenas dois quartos mais ou menos grandes e um pequeno para minha avó. Na sala, não me lembro bem, ficaram Sinhá e as quatro crianças. No primeiro quarto ficaram eu com os dois filhos, mais tia Haydée e tia Ester. Juraci e tia Bertulina não sei onde se agasalhavam. A minha cabeça no ar, mais a doença, mais o dinheiro curto, mais a ausência do meu marido e de meu pai, eram de me fazer perguntar: “até quando, meu Deus?”

Vencemos com lágrimas ou sem elas. Vivíamos sob regime de economia brava. Sem a tia Ester, a responsabilidade da cozinha e da despesa ficou nas minhas costas. A Sinhá não era de muito auxílio, pois os 4 filhos não lhe davam muita trégua. A tia Haydée vivia na máquina, costurando. Eu e tia Bertulina revezávamos no serviço da casa. A pobre mulher saía pela manhã depois do café para lavar toda roupa da casa no Mundaú. Chegava pouco depois do meio dia e cheia de canseira e fome. Guardava o almoço da pobre com todo o carinho que o meu tempo concedia. Fui melhorando aos poucos, com a proteção dos bons espíritos e Deus que nunca nos desamparava. Com os conselhos e orientação do Preto Velho, fui sarando aos poucos.

Voltamos em janeiro para nossa casa e tia Haydée continuou conosco, pois eu sozinha não daria conta do recado. Meu pai voltou ao trabalho e meu marido à sacrificada vida de viajante. Trabalhava em Maceió e vinha todo sábado para Rio Largo de trem ou de carona com o Sr. Gustavo Paiva. Em fevereiro perguntamos à tia se eu poderia passar o Carnaval em Maceió. O seio estava quase curado, mas havia o problema do filho Araken. Tinha uma empregada e ela concordou. Desta forma, domingo de manhã seguimos viagem. Segunda-feira de tarde nos telefonaram pedindo que voltássemos pois a tia teve uma indigestão e não passava bem. Acabou o meu passeio e voltei para a labuta mais cedo do que o previsto.

Em março retornei a Maceió levando o Araken ao Dr. José Baía. Graças a Deus, ele curou o meu filho, que ficou gordo e sadio.

(continua… aguarde a próxima postagem de Minha Vida)

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