Memórias da Vovó Dina – parte 28

Nasceu o Flavio Alberoni no dia 2 de maio daquele ano na Maternidade Lessa de Azevedo em Maceió, de parto normal.

Houve uma cena interessante: ao lado do meu quarto tinha uma moça aos gritos quando vinham as dores. Gritava que era uma beleza! A mãe aconselhava-a:

– Não grite minha filha, isso é assim mesmo.

Não houve conselho até a hora do parto; eu numa sala e ela na outra, nasceram as crianças quase ao mesmo tempo.

Chegou o dr. Paulo Neto para ver se estava tudo nos conforme e me perguntou:

– Não quer trocar? A sua vizinha teve uma menina. – Respondi:

– Não doutor, para ser gritadeira como a mãe, não senhor, prefiro meu homenzinho.

Quando Anthenor voltou do Sanatório, devido ao calor de Maceió, fomos passar o período de sua volta ao banco em União dos Palmares. O clima de lá é mais ameno. Lá fiquei grávida da Fernanda Anajas. Fiquei preocupada, principalmente  pela situação financeira.

Loucamente tomei um chá que me ensinaram… e quando foi de madrugada vieram as regras. Fiquei meio louca de arrependimento, levantei e me ajoelhei chorando, pedindo perdão e rogando a Jesus que não consentisse naquela loucura de abortar. Suspenderam as regras e aí está a nossa Anajas, o anjo bom da nossa vida. Não quero dizer com isso que as outras, ou melhor, os nossos filhos não sejam o ideal que qualquer pai ou mãe desejem possuir. Eles são a nossa alegria, a nossa felicidade.

Anthenor e Anajas, Ouro Fino, Minas Gerais, 1948

Que Deus os abençoe hoje e sempre.

Fomos para União em novembro ou dezembro e voltamos a Maceió em janeiro, que seria a volta de Anthenor ao banco. Chegava do trabalho molhado de suor. A gripe não o largava. Passei a lhe aplicar injeções na veia por ordem médica, para que ele pudesse se fortalecer.

Até que ele resolveu ir ao Rio de Janeiro conseguir algo que o clima o ajudasse a viver mais feliz e sadio.

Nesse ínterim, nasceu Anajas. Quando estava para fazer 3 meses, fomos para Ouro Fino. Isso aconteceu em outubro de 48.

Houve, nessa época, um fato interessante: estávamos sem recurso quase nenhum. Estava toda a família em casa da minha avó. Para viajarmos decentemente, precisávamos de tudo, roupas e etc. Vocês entendem o etc, não?! A Fernandina nunca foi de ganhar nada em sorteio. Por uma daquelas coincidências que nós chamamos de acaso, havia em meu nome, coisa que eu não sabia, diga-se de passagem, uma apólice da Sul América Capitalização. E não é que na hora de mais necessidade, a mulher de Anthenor foi sorteada com 10.000 réis, o que para nós, era uma fortuna?.

É assim que o Pai nos dá a prova da Sua Infinita Misericórdia.

Foi uma festa! Criamos alma nova e fizemos a farra, comedidamente, mas uma linda farra. Convidamos até a tia Haydée para vir conosco. E com o apoio da tia Ester e da vovó, ela aceitou.

(continua… aguarde a próxima postagem de Minha Vida)

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2 pensamentos sobre “Memórias da Vovó Dina – parte 28

  1. o duro é ter um só por dia…Tem aquela foto que a gente ganhou no Natal, com o vô e uma batelada de filhos , mas acho que é bem mais para frente…

  2. Má, entre as fotos do papai, tem uma de 48. Ele tirou junto com aquela da mamãe que tem na sala de jantar. Vale a pena colocá-la. Eles estão muito bonitos.

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