Memórias da Vovó Dina – parte 32

Anthenor e os filhos em Ouro Fino (anos 50)

Reportando a Ouro Fino e falando sobre a Haydée Ariani, ela, aos 2 meses adoeceu. Não queria a mamadeira, não urinava, não dormia direito. Chamei o médico pediatra, dr. Rodrigo, já entrado nos anos. Examinou a criança e não encontrou nada. O organismo dela não reagia, pois nem febre tinha.

No outro dia fui mudar a fralda e vi que a pouca urina tinha cor de café.

Mandei chamar o dr. Rodrigo, que trouxe material para colher a urina, mas teve pena, porque a criança era muito nova e ia maltratar e disse:

– A senhora vê se colhe um pouco de urina da menina.

– Mas como?, eu disse. Eu não posso passar o dia com a mão na bundinha dela. O melhor é o senhor receitar logo o que ela deve tomar.

– Vou então receitar injeção de penicilina. A senhora pede para o Valdir para aplicar.

– Eu mesma aplico, falei. Ele, admirado perguntou:

– A senhora aplica?

– Sim, senhor, apliquei muito no meu marido e em minhas tias.

E ficou boa a minha Haydée.

Ela já estava muito bem, mas eu precisava, por recomendação do médico, que não me recordo o nome, ir a Belo Horizonte me operar de uma porção de porcaria que eu havia adquirido com tantos partos. A nossa sorte é que a pobre da tia Haydée (que havia voltado de Maceió, onde foi depois da morte de papai), para assistir ao parto da atormentada Fernandina, sua sobrinha trabalhosa, em boa hora, o digo.

Fui me operar em Belo Horizonte, onde fiquei hospedada na casa de uma amiga, a Leninha. Nós a conhecemos no Sanatório, onde fazia companhia a uma irmã que estava doente.

Com a estadia lá, namorou e casou com um mineiro que trabalhava num banco, onde ela ia receber mensalmente o dinheiro que um tio enviava para a estadia delas. A irmã, Margarida, não se recuperou e logo faleceu. Leninha casou e ficou em Belo Horizonte. Eram todos de Pernambuco.

Passei no hospital quinze dias e mais uns em repouso na Leninha. O Anthenor foi me buscar. Naquela época não tinha pouso para avião em Ouro Fino. Pegava-se um trem para Pouso Alegre e de lá seguia de avião para a capital do estado.

O melhor de tudo é que Haydée não me reconheceu. Quis abraçá-la e ela me deu as costas e se aninhou nos braços da tia.

Estava forte e bonita a minha filha.

Uma amiga paraense, casada com um Martineli, cliente do banco, havia-a amamentado e ainda continuou um pouco, mesmo depois da minha chegada. Ela se chamava Regina Martineli. Mais uma das minhas dívidas.

(continua… aguarde a próxima postagem de Minha Vida)

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