Viagem no navio Rosa da Fonseca – parte 2

Dia 5 de junho de 1969: Em direção à Bahia

Comecei a escrever depois do café. Seriam uma 8 horas. São 9h. Vou subir um pouco e fazer companhia ao seu pai. Depois continuarei.

São 13h45. Almoçamos ao meio-dia.

Continuando: depois da saída do navio, lá pelas 4 e tanto, descemos e viemos descansar um pouco para o jantar às 19h. E quem disse que eu fui jantar?! O navio começou a balançar tanto que parecia uma rede.

O meu estômago estava tão cheio – sensação apenas – que parecia que tinha um boi lá dentro. Cheguei a levantar e comecei a trocar de roupa, mas não deu para completar o vestuário. Arranquei o pouco que havia vestido, enfiei a camisola e um casaco de frio e me deitei. Mas o pior é a gente embola mesmo. Para não fazer feio lá em cima, fiquei quieta como boa menina. O Anthenor subiu e me trouxe um comprimido que o médico deu. Melhorei e dormi um pouco – coisa que não tinha conseguido até ali. Dormi mal à noite, como sempre, mas hoje estou bem. Tomamos café da manhã, mais ou menos, às 7h. Estava frio, mas gostoso. O mar estava verde, lindo, parecia uma esmeralda líquida. Ficamos por ali. Conhecemos um casal que mora aí, na Leandro Dupré. Ligia e Carlos – têm um filhinho de 1 ano que ficou com a avó materna. Ela está de 6 meses de grávida e, incrível! Não parece.

Ontem conhecemos a irmã e os pais da Rosina. A irmã põe a Fernandina num chinelo, tão gorda é. Os pais são velhinhos. São todos muito simpáticos, mas eu gostei mais do velho.

Conheci hoje a amiga da Floristela e a mãe. Feia sou eu. Coitada, anda gemendo. Simpática, instruída, muito ativa e parece muito boa e auto-suficiente, o que é um perigo para a mulher. Mulher independente demais é um negócio muito chato.

Almoçamos e subimos. Fomos ver o mar. Vocês não acreditam, mas o mar é azulão. A rede de ondas que se forma atrás do navio é em azul piscina, cheio de espumas brancas.

Só vendo para ter a idéia de tanta beleza. E no meio de tudo isso, vimos uma porção de tubarões.

Imaginando a beleza do oceano e vendo a maravilha da sua imensidão, é que notamos a nossa pequenez diante da natureza. Um navio tão grande como este se mexe, estala, geme ao sabor das ondas e do vento. E o homem quer vencer, quer ter a pretensão de vencer tudo isto como se ele fosse alguma coisa em face de Deus!

(continua… aguarde a próxima postagem de Minhas Viagens)

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