Viagem no navio Rosa da Fonseca – parte 10

Saímos de Manaus às 24 horas do dia 19. Já estamos em águas do Rio Pará desde ontem às 7h30 da noite quando alcançamos Santarém, a cidade que divide os dois mundos – Pará e Amazonas. Estamos agora atravessando o Estreito de Buioçú que no seu início tem o nome de Furo dos Limões. No estreito serão 6 horas de boa navegação. Chegaremos em Belém lá pelas 3 horas da madrugada e sairemos às 15.

Tomara encontrar lá a cabeça de índio que a Regina pediu. Em Manaus não encontrei. Aonde nos informaram, tinham vendido aos padres, na véspera, cerca de 600 peças.

Encontrei a cabeça do índio da Regina em Belém. Estivemos no museu Emílio Goeldi, pena que aquilo esteja um pouco abandonado. As onças estão magras, tristes, sem vida. Onde vivem as antas tem lama e mau cheiro. Vi cinco sucuris. Para “utilidade” delas, creio que já tem demais. Gaviões de coleira branca e comuns, urubu re, araras grandes e pequenas, pássaros de toda a espécie, empalhados ou não. Bichos de pelo de todos os tamanhos e raças. Pedras preciosas. Trabalhos de índios, atuais e pré-históricos. Sei lá mais! Não dá para descrever vendo, quanto mais de memória.

A paciência dos homens, em especial do falecido criador do Museu, é de estarrecer. Calculem os grandes museus! As plantas, árvores gigantescas. Numa grande árvore, fiquei perdida no seu tronco para tirar o retrato. E mais coisas que a minha cabeça não dá para lembrar.

O navio está balançando outra vez. Desde ontem que saiu do rio e está navegando no mar.

Igreja do Carmo, centro de Fortaleza, década de 70

Chegamos em Fortaleza. Duas horas para descer, dar uma corridinha até a cidade e voltar. A escada quebrou, uma senhora caiu de cima. Não sei como não fez um estrago maior. Oh! Agonia louca! Almoçamos à 1 hora e o navio também saiu do porto na mesma hora.

Ontem de noite houve uma festa de despedida dos cearenses que também estavam em excursão. A recepcionista Herotildes é quem organiza tudo. Houve concurso de beleza – foi eleita uma pernambucana, Maria Helena Monteiro. Das que estavam aqui, era a melhor. Uma sra. do Ceará fez a letra e a música de um frevo para a despedida. Cantaram, recitaram, a orquestra de bordo, aliás muito boa, tocou muito e foi tudo muito animado e divertido. Nós viemos para o quarto era meia noite e a festa ainda ficou rolando lá em cima. Hoje não fomos ver o bingo. Ficamos conversando com mais três casais. Dois de Joinville e um de Curitiba. Aqui tem até norte-americanos. Tem um casal com cinco filhos, outro com dois e saltou um pastor, que veio de Manaus com a família passar as férias em Fortaleza.

É assim o nosso Brasil! Tem de tudo!

(fim das postagens de Minhas Viagens)

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