TONICO

– Mãe, a sra deixa eu ir prá escola?

– Vá sim, fio. Já tá na hora. Já tem 7 ano. Em Janero vai fazê 8 ano.

– Qui dia, mãe? Perguntou ansiosamente.

– Não me alembro. Mais parece qui foi no meio do mês. Pregunte a teu pai. Ele tá no roçado.

– Aí eu vou esperá muito. Té logo, mãe. Vou falá com a professora.

E lá se foi todo feliz, assobiando em demanda da escola. Ao chegar, viu que não tinha muitos meninos. Chegou junto à mesa da professora e perguntou:

– Posso estudar professora?

– Pode sim, filho. Espere um pouco. Vou pegar o livro de matrícula e já lhe atendo.

Abriu o livro e perguntou:

– Como você se chama?

– Tonico, Fessora.

– Meu filho, Tonico não é nome, é apelido. Seu nome deve ser Antonio. O seu pai, como se chama?

– Zé e minha mãe é Maria.

– Você vai voltar em casa e amanhã trás tudo direitinho. Sua mãe sabe ler?

– Nem ela nem meu pai. Nem lê e nem escrevê.

– O dono da venda sabe. Peça a seu pai para ir lá falar com o Sr. Manuel e ele fará tudo que seu pai disser. Amanhã volte com um caderno e um lápis. A cartilha eu tenho aqui.

Foi embora o Tonico todo feliz porque agora ia realizar o que mais desejava na vida. Aprender a ler, escrever e contar. Falou com o pai e foram os dois até a venda falar com o “seu” Manuel, que, com muita boa vontade, foi escrevendo o que o ‘seu’ Zé dizia:

Nome do Pai: José Vicente da Cruz

Nome da Mãe: Maria José da Cruz

Nome do filho: Antonio Vicente da Cruz, nascido em 19 de janeiro de 1940.

Estavam em outubro e mesmo assim se matriculou e começou a estudar.

Inteligente e cheio de vontade de aprender, foi um bom aluno para D. Ana, a dedicada professora.

Se passaram três anos e o pequeno Tonico, que também ajudava ao pai na roça, um belo dia perguntou à mãe:

– Mãe, a sra. quer aprender a ler?

– Meu fio eu não tenho mais idade prá isso. Tô muito véia.

– Velha nada, disse Tonico. Sente aqui nesta cadeira e vou lhe mostrar como é fácil aprender o ABC.

E assim o Tonico ensinou aos pais que ele muito amava, além de saber ler, escrever e contar.

Quando em sua vida nada restar,

Não cruze os braços, pois o maior homem do mundo

Morreu de braços abertos.

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