O FALSO MENDIGO

Vestido com uma opa – dessas que os homens usam para, nas procissões, carregarem o andor onde está o santo.

Ele saía aos domingos com uma sacola, de porta em porta, pedindo auxílio para o Santíssimo da Matriz.

Estávamos morando em Viçosa (Alagoas), onde passamos 1 ano.

Povo católico ao extremo tolerava o peditório do homenzinho sem reclamar.

O padre Machadinho, muito amigo do meu pai, achava aquilo muito natural. Ria muito quando falava do mendigo disfarçado de crente da Igreja.

Baixinho, gordinho e sério, até parecia que era verdadeiro naquilo que, para outro, era simples mendicância.

Meu pai curiosamente, perguntou ao padre Machadinho:

– Padre, aquele homem que pede esmola dizendo que é para o Santíssimo? Ele leva o dinheiro para lá?

Sorrindo, o querido Padre respondeu:

– Fernando, você está vendo aquela casinha branca, lá em cima, na subida para o cemitério? Ela é limpa todo ano. O coitado precisa comer com a família, não?

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