PADRE MACHADINHO

Se a Igreja Católica tivesse padres como ele, não haveria outra religião.

Homem bom, culto, amigo de todos que tivessem a dita de conhecê-lo.

Gostava de assistir a uma festa de aniversário, reuniões de música e cantorias em casa da amiga Nazaré Batista.

Ela, a Nazaré no piano, a Rosinha Mata no violino, todos cantavam e o nosso Padre com seu melhor sorriso, apreciava tudo aquilo como quem nunca havia visto coisa mais bonita. Minha mãe também acompanhava tocando flauta.

Tirando umas férias o Padre levou à Bahia a irmã mais nova para se operar. Os médicos de Viçosa e Maceió não tinham ainda capacidade para operá-la. O que era, eu ainda era muito nova para saber (14 anos).

Foi-se o Padre Machadinho e veio o Padre Luiz para substituí-lo. Padre moço e bonito, recém ordenado, era sua primeira Igreja e tudo faria para sair-se muito bem da empreitada.

O mulherio ficou alvoroçado, principalmente as filhas de Maria, que não eram poucas.

O Padre Luiz resolveu festejar o mês de Maria (mês de maio) e convocou Nazaré no órgão e Rosinha no violino. Até eu que não pertencia à Igreja Católica fui convidada para cantar.  Isso aconteceu em 1928.

Nesse ínterim chegou o Padre Machadinho (que se diga de passagem fazia anos que não celebrava o mês de Maria, porque, dizia, dava muito trabalho). Teve que aceitar os festejos que o outro havia iniciado. Houve ensaios de cantos e música. De noite havia reza e nos domingos, missa cantada.

Era bonito de ver e muito alegre também. Na última semana apareceu no Altar Mór um bilhete de declaração de amor ao Padre Luiz. Ele não apreciou muito a história e foi tudo abafado. Ninguém soube quem foi a autora – deveria estar muito apaixonada para fazer uma besteira dessas.

Na sexta feira (a última do mês) começou gente de toda aquela redondeza para se confessar. No domingo na Missa haveria comunhão.

Moças, velhas, homens e crianças se deslocaram para confessar seus pecados.

A Igreja se encheu e os Padres estavam assoberbados de serviço sem tempo nem de respirar.

De repente o velho Padre Machadinho saiu do confessionário e disse:

– Luiz, vamos almoçar.

–  Já vou, vá andando que eu chego já. E continuou o seu mistér.

O nosso vigário saiu e foi pra casa que ficava bem em frente à Igreja.

Esperou, esperou e o amigo vigário não aparecia.

Perdeu a paciência e atravessou a rua, entrou na Igreja e foi até onde estava o Padre Luiz.

– Luiz, estou esperando faz tempo e você não vem almoçar?

– Ah! Padre tem muita gente para confessar!

O Padre Luiz obedientemente se levantou e foi satisfazer o estômago que já estava dando voltas.

A última missa foi muito bonita (missa cantada), mas o que tinha de gente para comungar, foi um Deus nos acuda.

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