O BANHO

O “seu” Joaquim era marceneiro. Levava o dia inteiro levando o pó de serragem. Moreno, puxando para mulato, encurvado, magro e sujo.

Casado, pai de quatro filhos. A esposa, Dina, como a chamavam, era a mulher mais calma que me lembre já ter visto.

Eu era menina, mas me lembro muito deles. Eram bons e viviam placidamente na sua pobreza.

Mas o Quica, como era conhecido, não tomava banho.

Ainda hoje me pergunto como a Dina aguentava.

O nosso amigo só se lembrava de tomar banho quando o rio Mundaú enchia, o que acontecia de ano em ano, quando chovia.

No dia do grande acontecimento era mais do que certo ele adoecer. Tinha frio, febre e dor de cabeça e passava o dia de cama.

Dizia para a mulher: – Por isso eu não gosto de tomar banho. Toda vez, fico doente.

Ao que a Dina respondia:

– De certo homem, o corpo estranha a água. Você só toma banho de ano em ano.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s