JOÃO

O pequeno povoado tinha o pomposo nome de Santíssima Trindade.

Uma forte epidemia de varíola acabou praticamente com os habitantes do pobre lugarejo. Só sobraram o João e duas mulheres. Talvez por morarem juntos, na mesma pobre casa.

Sozinho, sem ninguém, resolveu ir para a cidade mais próxima. Andou bastante. Faminto e cansado entrou na Igreja e sentado ficou a refletir na triste vida a que ficou reduzido.

Chegou o sacristão e conversando, ficou penalizado com a situação do pobre rapaz. Disse que ia falar com o vigário e quem sabe, ele daria um jeito na vida do coitado.

O vigário prometeu ajudar, mas antes gostaria de ouvi-lo em confissão.

Voltou o sacristão, deu o recado do Padre e conduziu o tímido João ao confessionário.

Chegando lá, o rapaz se ajoelhou, se benzeu e esperou que o padre falasse.

– Filho, perguntou o vigário, você sabe rezar?

– Sei, sim senhor.

– Sabe o Padre Nosso? Tornou o vigário.

– Sim senhor, respondeu João.

– Sabe quais são as pessoas da Santíssima Trindade?

– Sei, sim senhor.

– E quais são?

– Eu, tia Chica e Maria Banguela. O resto a bexiga da peste carregou.

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