A COBRA

Quando o homem é beberrão perde a noção de tudo, até do medo.

Esta história quem contou foi meu pai.

O bêbado morava no povoado Mata do Rolo, distante de Rio Largo alguns quilômetros.

Ia fazer feira e bebia mais que o necessário. A cachaça serve para matar o frio, a fome, a sede, o calor, o amor e mais – a vergonha do viciado.

Estava o infeliz na estrada que vinha de Rio Largo, o lugar onde morava, quando uma cobra o atacou e ele, na sua semi-inconsciência, pegou a bicha pelo rabo e saiu com ela a guisa de trouxa, pendurada nas costas.

A cobra se fartou em picar as pernas do fulano e mesmo assim ele não  sentiu qualquer alteração. Quando chegou a casa, caiu na calçada e lá ficou.

A mulher, preocupada, quando ouviu o baque do corpo no chão, ficou sossegada, pois viu que o seu sem juízo havia chegado.

De manhã, estranhando a demora do marido em dar sinal de vida, resolveu  ver o que tinha acontecido. Ele continuava dormindo e embaixo dele, a cobra estava morta, dormindo o sono dos justos.

E meu pai diante da minha admiração do homem não ter morrido e sim a cobra, ele na sua “sabedoria’, respondeu:

– O homem estava tão saturado de cachaça que a bebida lhe serviu de antídoto. Em vez de morrer o homem, morreu a cobra!

Acredite se quiser.

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