O BURRO

O homem e sua mulher passavam a semana fazendo louça de barro para vender na feira.

Eram potes, panelas, frigideiras, moringas e mais o que desse na imaginação dos dois.

Num dia de sábado o matuto arrumou nos jacás (cassuás, como se diz no nordeste) o seu precioso trabalho de uma semana.

O burro naquele passo manso de animal carregado com enorme peso, e lá foram os dois em demanda da feira que, graças a Deus, não era longe.

Na primeira venda que apareceu, o burro parou, acostumado que era a fazer isso toda semana.

Entrou o homem na venda para tomar uma pinguinha (cachaça) enquanto dois engraçadinhos, desocupados, como infelizmente existem em toda parte, se aproximaram do burro e para fazer graça, jogaram dentro do ouvido do coitado, um fósforo aceso.

O pobre animal com a dor pôs-se a corcovear e o resultado foi que quebrou toda a louça que o pobre homem tivera tanto trabalho em fabricar.

Vendo aquilo o infeliz correu para ver o que tinha acontecido e perguntou agoniado pelo prejuízo.

– O que vocês fizeram com o burro?

– Nada não, responderam os dois sem vergonhas.

– Nós dissemos a ele que a mãe morreu.

E o coitado, chorando, pensando no prejuízo:

– Isso é coisa que se diga a um burro carregado de loiça?

Não fossem os desocupados metidos a engraçados, o mundo seria bem melhor.

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2 pensamentos sobre “O BURRO

  1. Papai adorava essa história e sempre que recebia uma notícia inesperada, dizia: Isso é notícia que se dê a um burro carregado de loiça!

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