CARIDADE – NADIR

A pobre moça não sabia a quem acudisse, se ao filho recém-nascido, à mãe doente ou ao padrasto preso inocentemente, doente também.

Nos tempos antigos os reis eram donos da vida e da morte de seus súditos. Quando não eram mortos, ficavam nos calabouços para o resto dos seus dias passando a pão e água. E que pão e que água!

Sem saber muito que fazer, foi rezar, pedindo a Deus uma para salvar o padrasto e em consequência salvar a mãe também. Pensou, pensou e resolveu fazer  um bolo para enganar o carcereiro que ela sabia ser um comilão de mão cheia.

De manhã, pegou o bolo, pôs o chale e saiu em direção àquilo que hoje chamamos presídio.

Era como uma fortaleza grande e sinistra. Chegou ao portão e pediu para falar com o diretor do presídio. Conversou com o tal e ele consentiu que ela entrasse e falasse com o carcereiro.

Encontrou o fulano, barbudo e sujo como ele só e disse:

– O diretor me mandou entrar para falar com o prisioneiro que aqui está inocentemente preso, faz mais de um mês.

– Ninguém vem para cá inocente, alguma coisa ele fez.

– Se me deixar entrar, disse ela, eu lhe dou este bolo. Peço, por favor, que eu possa ficar uma meia hora. Ele está muito doente.

– Doente nada, o que ele tem é falta de alimento. A comida daqui é brava. E continuou – ele está preso porque foi malcriado com um graduado. Qualquer voz mais alta e lá vai prisão.

– Eu sei, disse ela. Com este presente talvez o Sr. seja mais tolerante e me deixe ficar uns minutos mais.

– Está bem, menina. Eu a levo lá. Dê-me este lindo bolo. Vou comê-lo agora mesmo.

– Deus lhe pague, disse Nadir, com os olhos cheios d’água.

Foi levada ao cubículo onde estava o pobre homem deitado em cima de palhas podres, pálido e magro que fazia pena.

Ela chamou-o. Ele abriu os olhos e exclamou:

– Filha do meu coração, que faz aqui? Como vai sua mãe?

– Eu vou bem e minha mãe rezando para que o Sr. volte logo.

– Como voltar? Faz tempo que estou aqui. Até agora não resolveram o que fazer comigo.

– Tenha fé em Deus, pai. Tudo vai ser resolvido pelo melhor. Espere um pouco. Estou vendo a caneca que o Sr. bebe água. Não olhe para mim, vou tirar do meu leite para o Sr. beber.

O coitado tomou o leite como se fosse o manjar dos céus.

Ela se compôs e o vendo já dormindo, chamou o carcereiro para abrir a porta.

– Obrigada, disse ela, posso voltar amanhã?

– Decerto. Contanto que traga algo para comer.

E nesse vai  e vem, se passaram uns 10 dias.

O rei resolveu arranjar algo para se distrair ou matar o tempo e para isso, prometeu dar um prêmio a quem dissesse uma adivinhação que ele, sua majestade, não conseguisse adivinhar.

Então, a nossa Nadir teve uma grande idéia e lá foi em caminho do palácio para fazer parte dos candidatos.

Logo que chegou, foi introduzida e junto aos outros, se aproximou e disse sua adivinhação ao rei.

– Já fui filha, hoje sou mãe,

Criando filhos alheios

Marido da minha mãe.

O rei olhou bem sério para Nadir e perguntou:

Se eu não adivinhar, o que deseja em troca, dinheiro?

– Não, Majestade. Desejo a liberdade de alguém.

Ela repetiu a adivinhação, uma, duas, três, vezes e nada.

– Está bem, disse o rei. Peço 2 dias para pensar.

No fim dos 2 dias, Nadir ganhou a liberdade do padrasto e a saúde de sua mãe.

O rei não adivinhou, mas pediu a explicação que ela, com prazer, lhe deu.

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