OS POMBINHOS – Também da minha mãe

Os dois se amavam enternecidamente com apoio das duas famílias.

Tudo estava certo para o casamento que seria em maio. Mario estava muito feliz e Maria mais um pouco porque seria também o aniversário dela.

Infelizmente, havia alguém que o desejava de qualquer maneira.

Se fazia amiga de Maria, mas pensava que o noivo da “amiga” era bonito demais. Ela não o merecia, pensava a invejosa.

Resolveu falar com a mãe, que era uma feiticeira de mão cheia.

– Mãe o que eu faço? Eu quero o Mario para mim, mas a Maria está me atrapalhando demais.

– Não se incomode filha, darei um jeito. Você vai ver.

Foi para o quarto onde fazia as mandingas e trabalhou, trabalhou, trabalhou até cansar. De manhãzinha saiu do quarto e chamou a filha:

– Milena, vem cá.

Entregou a menina um alfinete com a cabeça preta e disse:

– Vá até a casa de Maria e a chame para conversar. Se sentem no jardim e depois de algum tempo, faça de conta que alguma folha de árvore caiu na cabeça dela. Leve a mão como para retirar a folha e crave o alfinete na cabeça da Maria. Faça isso e saia logo, como se nada tivesse acontecido. Fora do jardim, espere o resultado e venha me dizer.

A safada Milena fez tudo o que a “boa” mãe lhe ensinou. Ficou no portão esperando o resultado da sua má ação.

De repente, aos poucos, Maria foi se transformando em uma pomba.

Milena atinou com o que sua mãe havia feito e muito feliz foi contar o sucedido.

As duas se abraçaram e ficaram esperando para quando Mario procurasse pela noiva.

À tarde, ele chegou e ficou procurando Maria por todo lugar e nada de encontrá-la.

Milena o viu e, alvoroçada foi lhe falar:

– O que aconteceu, Mario?

– Não sei, respondeu aflito. Estou procurando Maria e não a encontro. Só vejo lá no jardim uma pombinha. Onde será que ela está?

– Não se preocupe. Quem sabe viajou?

– Sem me avisar, nunca! Acho que você sabe alguma coisa. A sua cara está como quem está muito alegre!

Pegou-a pelos braços e sacudiu-a brutalmente, dizendo:

– Se fez alguma mal a Maria, eu mato você e a feiticeira da sua mãe. Você pensa que não sei que ela faz feitiço?

Apavorada Milena correu e contar que Mario estava desconfiado.

– E agora, mãe, o que nós vamos fazer?

– Não se incomode. Eu dou um jeito nele também.

– Mas mãe, eu quero ele pra mim!

– Você não soube disfarçar. Agora é tarde demais. Espere-me aqui. Com ele vai ser mais fácil.

Foi para o tal quarto e demorou menos tempo que da outra vez.

Foi até a filha e lhe disse:

– Chame o Mario e diga a ele que quero lhe falar.

– O que vai fazer mãe, vai matá-lo?

– Que matar, que nada. Vai logo e não demore.

Chegou o rapaz com olhos vermelhos de tanto chorar e se sentou na cadeira que a mulher lhe ofereceu.

Conversando e procurando consolar o moço cheio de dor, começou a passar a mão na cabeça do ingênuo rapaz e de repente, enfiou e era uma vez o Mario. Agora era também um pombo.

A diferença era que o alfinete da Maria, era para esquecer-se de tudo que se relacionava com o noivo.

E na pressa de fazer a maldade ela esqueceu esse pormenor.

Foi virar pombo, Mario saiu procurando a noiva – o amor tem dessas coisas.

Encontrou a pombinha no encosto do banco do jardim e seu coração lhe diz aquela era Maria, o seu amor.

Aproximou-se e perguntou:

– Você é Maria?

– Não sei. Só sei que sou uma pomba.

– Não se lembra do seu noivo?

– Não me lembro, pombinho.

-Não se lembra que iam casar em Maio?

– Não me lembro não, pombinho.

O pombo estendeu a asa e abraçou-a.

– Você não se lembra quando seu noivo lhe abraçava e beijava?

– Não me lembro não, pombinho.

O pombo pensou: – “Meu Deus, o que faço para que ela se lembre de mim?

Ele perguntou:

– Você está com fome, pombinha?

– Estou sim. Mas onde vamos comer?

– Ali tem migalhas de pão que jogaram para os pássaros. Quer experimentar? E tem frutas também.

– Vamos então, disse ela.

E voaram juntos para comerem pois realmente estavam famintos.

Enquanto isto, a briga da Milena com a mãe foi terrível. Perdeu o homem que ela dizia amar.

Mas o que ela tinha era inveja da Maria. Maria era rica, bonita, simpática, gostava de todo mundo, até da metida da Milena, que ela sabia, não era lá essas coisas.

Voltemos aos pombinhos.

Comeram e como já estava anoitecendo, procuraram uma árvore para dormir. De manhã foram comer e ele voltar a falar:

– Pombinha, você se lembra dos seus pais? Eles são tão bons. Devem estar chorando porque você sumiu sem ao menos dizer adeus.

– Agora que falou em meus pais, parece que estou começando a me lembrar!

– Que bom, querida! Posso lhe dar um beijo na cabeça?

– Pode sim. Só na cabeça. Na boca, não.

Ao beijar a cabecinha dela, notou uma saliência e perguntou:

– O que tem na sua cabeça? Parece um caroço.

– Não sei. Tira, pois está me incomodando.

Ele com o bico, tirou o alfinete e, ela na mesma hora se transformou em Maria. E ele? Aí ela pensou: – “não será que ele tem também um alfinete na cabeça?”

“Estendeu a mão e procurando encontrou o “abençoado” alfinete. Arrancou-o depressa e chegou o Mario!

Admirados, se abraçaram chorando de emoção. Compreenderam o que havia acontecido, mas era melhor ficarem calados, para não acontecer o pior.

Conheciam bem mãe e filha.

Se casaram e viveram felizes em outra cidade, longe da inveja das duas bruxas.

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