SR. ESPERIDIÃO

E era nosso vizinho. Eu devia ter uns 11 ou 12 anos. Tínhamos saída da Rua do Coqueiro e fomos morar na Vila Operária da Companhia Alagoana, onde meu pai trabalhava há uns 2 anos.

A família do Sr. Esperidião era composta de 5 ou 6 filhos. O mais velho, o Irineu já era casado. Tinha, que eu me lembre: Zefinha, Zeca, Cícero e mais 2 o 3.

Certo dia a d. Quinha, esposa de Sr. Esperidião, adoeceu seriamente e como os médicos eram manga de colete, não souberam o que tinha a infeliz. Quem foi ajudá-la na casa e na doença, foi sua irmã mais moça, que se chamava Lica.

A d. Lica era magrinha, simpática e, diga-se de passagem, havia sido namorada do Sr. Esperidião.  A d. Quinha tomou-lhe o namorado e casou com ele (porque ele quis).

Mas apesar do cuidado da irmã, d. Quinha não melhorava. Resolveram mandá-la para casa de outra irmã que morava em Murici.

D. Quinha foi levada e o marido e a d. Lica foram para a estação, com certeza para ajudar a coitada.

Quando o trem partiu, o Sr. Esperidião se voltou para a cunhada e perguntou: – Lica, se a Quinha morrer, tu casa comigo? – Sim, caso – disse ela.

Voltou D. Quinha e pouco depois veio a falecer… em pouco tempo  casaram a d. Lica e Sr. Esperidião.

Logo mudaram dali e foram ser nossos vizinhos.

Foi a vizinhança mais querida.

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