BENEDITA E HERACLITO (1928)

Ele: médico, bonitão, mulato escuro e muito simpático.

Ela: bonita, olhos azuis, corpo bem feito e de família rica e orgulhosa. Benedita Viegas e Heraclito Caldas.

Morávamos em Viçosa (AL) onde meu pai exercia a função de sub- gerente de uma fábrica de curtume. O Sr. Gustavo tinha a ideia de comprar a “abençoada”, mas não deu certo e voltamos depois de um ano para Rio Largo.

Foi aí que soubemos ou vimos o namoro dos dois. A família dela não aprovou o namoro e com um irmão, mandou-a para o Rio de Janeiro. E o Heraclito foi desgostoso para São Paulo. Essa separação levou seis anos.

Pensando, talvez, que havia esquecido o rapaz, a família a trouxe de volta para Viçosa.

Coincidentemente o rapaz voltou também. Se reencontraram e… fugiram e se casaram no Rio de Janeiro.

Fui ficar com Anthenor no Sanatório e tínhamos como companheira de mesa Zilá. Éramos em três na mesa: Guiomar, Zilá e eu.

Zilá perguntou de onde eu era e o meu nome. Quando eu falei Caldas Farias, causou-lhe surpresa e ela disse:

– Eu conheço um Caldas que mora no meu edifício.

– Como se chama? – perguntei.

– Heraclito Caldas, é médico.

– Casado com Benedita? – tornei a perguntar.

– Sim. Isso mesmo.

Então contei tudo que escrevi acima e perguntei: – Eles têm filhos?

– Não, disse ela, não querem para não terem filhos mulatos ou escuros.

Por amor,  fugiram. Não ter filhos, o preconceito dominou. Será verdade?

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