AZUL DE METILENO

Aos operários da Fábrica da Cia Alagoana de Fiação e Tecidos era dado como medicamento para sarar dos ataques de impaludismo ou maleita uns cachetes ou comprimidos. Os tais cachetes eram feitos do mesmo modo como se fazem as hóstias. Eram duas unidas e recheadas com o pó de azul de metileno.

Tomar aquilo tão grande era horrível.

Eu que sofri um ano de impaludismo, sei como era ruim engolir aquele troço.

Como estava dizendo, era o remédio do operariado, indicado pelo médico.

Entre outros, havia um menino de uns 11 anos que trazia algumas frutas e verduras que o pai plantava para vender, ajudando desta forma no salário minguado da Fábrica.

Uma das freguesas, d. Mariquinha, estranhou a cor da camisa que ele estava usando e perguntou:

– Está com a camisa azul, comprou outra?

– Não senhora, disse o garoto, é que meu pai teve impaludismo e tomou aquele remédio que mija azul. Então a minha mãe aproveitou e tingiu uma porção de roupa.

Economia se faz assim, não?

Anúncios

Um pensamento sobre “AZUL DE METILENO

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s