FRATERNIDADE – Rodrigo Araês

Quando nasci meu pai adoeceu

Quando nasceu meu irmão, meu pai renasceu.

Demorei muito para entender o contraste de nossas vidas.

Sou o último dos primeiros sete.

Ele é o primeiro dos últimos sete.

Nos nossos grupos de estudos representava

O bisturi que lancetava o tumor,

Meu irmão era o curativo que cicatrizava a alma.

Sou o Atanor onde se queima a Grande Obra,

Ele, o elexir da vida, panacéia das dores do mundo.

Suas poesias são um oceano,

Em cujo seio a imaginação se libera

Na escrita sou um pântano,

Que poucos atravessam.

Busco na mente a chave dos mistérios,

Pela via amorosa.

Meu irmão é uma grande árvore,

Em sombra se refazem os viajantes cansados

Sou um cacto alucinogênico,

Que impele as pessoas à morte do eu pessoal.

Um úmido, outro seco.

Posição variável, dependendo do grupo.

No meio poético, ele é Luz e eu a Sombra,

A parte oculta do icerberg.

Em outras partes os papéis se invertem,

Ele é o Nagual, sou Tonal.

Juntos formamos um todo.

Somos princípio e fim da nossa família

O fim de um é princípio do outro.

Quem o conhece,

Sente minha presença,

Quem me conhece,

Reconhece a força velada.

Não se iludam,

Somos puro mistério.

Não se acomodem,

Somos mortais.

SP, 27/06/2003

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