JANOCA, o pescador

Era quase noite quando Janoca passou em frente a nossa casa com todos os apetrechos de pesca.

Uma rodinha (um pano) em volta da cabeça, com um pequeno candeeiro de flandre preso no referido turbante. Na mão um puçá próprio para pescar camarão.

Ele ia em demanda do rio Mundaú que passava atrás da nossa casa.

Era a melhor hora da pesca de camarão que se aninhavam para dormir nos capins que nasciam na beira d’água, para dormir e descansar da labuta do dia. Os camarões, como os peixes, também têm direito de descanso, como todo vivente.

Meu pai que estava no terraço, ao vê-lo passar perguntou:

– É a melhor hora para pescar camarão, Fernando, respondeu enquanto caminhava para a beira do rio.

Foi-se o nosso amigo e não demorou 2 horas, já estava de volta.

Meu pai estranhou e admirado perguntou:

– Já de volta, Janoca, o que aconteceu?

– Não lhe conto, Fernando. Estava começando a pescar quando senti junto de mim uma pessoa pescando também. Continuei, alguém continuou. Olhei, não vi ninguém. Aí tive medo. Pescar com assombração, não é do meu feitio. É melhor ir para casa, você não acha?

– Você andou bebendo?

– Não, Fernando. Hoje não bebi nem uma gota!

O nosso amigo Janoca era operário da fábrica e nos fins de semana aproveitava a folga para tomar umas e outras.

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