RODRIGO MOTA

Foi o maior personagem das nossas vidas. Amigo incondicional do mano Anthenor, como ele o chamava.

Veio de Pilar, onde nasceu, indo trabalhar na loja do tio João Henriques em Rio Largo onde nós o conhecemos. O Sr. João Henriques era irmão de d. Áurea, sua mãe que ficou viúva muito cedo. A morte do pai do Rodrigo foi o maior engano acontecido em Pilar.

O Sr. Rosalvo, pai do nosso amigo, tinha um irmão chamado José que engravidou uma mocinha e achou que ficando por isso mesmo, estava tudo resolvido.

Só que o pai da moça não pensava da mesma forma e resolveu se vingar.

Estavam os dois irmãos, Rosalvo e José conversando de costas para quem vinha e o pobre homem confundiu e matou o Rosalvo pensando ser o José.

O Sr. Rosalvo, pai de sete filhos, deixou d. Aurea na maior penúria. Fazer o quê? Tinha que ser socorrida pelo sogro, o Sr. Nicolau a quem os netos chamavam de pai Xinhinho. A mais velha, Zaíde, já vivia com os avós paternos e os outros foram socorridos pelo mesmo avô.

Desde cedo Rodrigo tomou-se de amores pela nossa família. Era como um irmão para nós. Tínhamos mais ou menos 12, 13 anos de idade.

Eu me lembro que quando estava grávida de Regina e ele e d. Joaninha começaram a teimar, dizendo que era uma menina e ele dizendo que era um menino. Para acabar com a teima, eu disse: – Bem, se for menina, vai se chamar Regina, mas se for homem, será Rodrigo.

Nasceu Regina Angela e ele só foi vê-la 15 dias depois. Eu lhe falei: – se fosse Rodrigo, você já teria vindo, não é seu safado?!

Padrinho do Juraci, ele frequentava a nossa casa como se fosse sua.

Foi o leva e traz do meu namoro. Um dia tia Haydée me perguntou se eu estava namorando Anthenor e eu, medrosamente, disse que não. Ela me disse que estava bem, porque o Anthenor não tinha futuro. Tia Haydée transmitiu a resposta da idiota para o amigo e esse para o “irmão”. Foi um verdadeiro drama. O rapazinho passou a noite chorando. A minha sorte é que pelo São João, eu dei um cravo branco às 2 e meia da manhã, depois da festa… e aí tudo foi pelo melhor.

Com a morte do pai, o tal José se apossou de toda a fortuna do velho. Por isso houve a debandada da família Mota. Os irmãos do Rodrigo eram Zaíde, Zilá, Dolores, Edgar, Antonio e Luiz.

D. Aurea veio morar em Maceió e com ela vieram: Edgar, Rodrigo e Zilá. Zilá casou-se com um sujeito que era uma vasilha ordinária, Rodrigo trabalhava na loja Nova Aurora e Edgar…bem, não sei onde. Foram nossos vizinhos nessa época.

Rodrigo foi também o padrinho do nosso casamento e o incentivador para Anthenor fazer o concurso para o Banco do Brasil. O “irmão” passou e ele não. Depois Anthenor conseguiu o ingresso dele como caixa. Foi para União e lá casou com Zeza. Mas aí é outra história. Sei que foram muito felizes.

Anúncios

3 pensamentos sobre “RODRIGO MOTA

  1. Tio Rodrigo adorava contar causos. Sentava-se na cadeira de balanço, na varanda de sua casa, e balançando-se pra lá e pra cá, esvoaçando seus cabelos, finos e brancos, fazendo-nos lembrar do vô Fracolino, o avô do Carequinha e Aninha, das histórias da Luluzinha, era capaz de passar horas, contando causos e causos e quando contava um mais cabeludo, dizia com os olhos brilhando de malícia:
    – Foi sua mãe quem me ensinou…

  2. Mito boa! lembro de fatos deliciosos com nosso querido tia. Ele era um ser especial com seu humor, seu carinho, seu jeito exagerado para tudo e, especialmente seu amor pela Zeza. isso marcou muito. Todos os meses, acho que até morrer, ele mandava celebrar uma missa em sua intenção.Nós diziamos que quando morresse iria encontar com Zeza, mas mesmo assim ele não queria morrer, queria ser uma largatixa, mas não morrer, pois provavelmente não iria encontrar com sua Zeza pois essa era uma alma iluminada e estava muito acima dele. Era uma figura.
    Tem uma passagem muito boa com a sua mãe. Ele estava providenciando uma pensão para ela e precisava da certidão de casamento. Acontece que nos idos doo sec 19, não se casava em cartório e a velha não tinha a bendita certidão e o tio foi explicar para ela, a pobre, putíssima exclama: “depois de velha, virei rapariga!”Haja saliva para explicar à ela.
    Tio deixou saudades e será sempre lembrado com muito carinho.

  3. Estávamos na casa do “tio Rodrigo”, como o chamávamos, em Maceió, em janeiro de 82. A data ficou gravada porque Elis Regina tinha falecido naquela semana, 19 de janeiro, acho, misturando álcool e cocaína em doses fatais.

    O Tio era uma figuraça. Foi ao mercado central, para comprarmos pimenta da boa, que vinha em garrafas plásticas, com as pimentas e um pouco de álcool que a seu tempo produziria o precioso tempero.

    A mesa em sua casa sempre era farta, tinha de tudo. De tapioca a queijo coalho. E a conversa, que a gente ficava jogando fora o tempo todo, era sempre melhor do que tudo mais, cidade e praias. O Tio, quando morresse, queria virar lagartixa, não me pergunte porque exatamente, mas ficaria andando por aí, desapercebida.

    Quando vi uma lagartixa num dos hotéis na Itália, disse à Siomara: Olha o tio Rodrigo aí!!!!!!!!!!

    Ela se assustou, pensando que eu talvez estivesse vendo o tio, num transe mediúnico. Expliquei que não era, acho que ela ficou meio braba com a brincadeira. O fato é que, desde que o Tio se foi, quando vejo uma lagartixa, lembro-me dele com carinho e afeição.

    As pimentas que trouxemos nas garrafas plásticas ficaram na gelareira por semanas, depurando. Um dia, resolvi usar: usei e abusei na comida, com muita cerveja. Ao acabar a refeição, precisava urinar, não tinha jeito.

    Assim que acabei o serviço, o pingulino começou a arder, arder – e não parava mais. Fui ficando desesperado. Parecia que estava incendiado, pegando fogo mesmo. Eu jamais imaginaria que as garrafinhas plásticas transpirassem, e que a pimenta sairia “para fora da garrafa”, apimentando as mãos e – posteriormente – o pertence.

    Desesperado, arranquei a roupa toda. E sentei no bidê (que nunca tinha usado). Mas a desgraça da ardura não parava e entrei no chuveiro, rezando e dizendo uma centena de palavrões, até os que eu não conhecia. Uns quinze minutos depois a coisa foi passando e – feliz – me certifiquei que o respectivo não tinha caído (o que parecia que iria acontecer, pois a pimenta era muito braba mesmo).

    A partir daí, aprendi a lavar as mãos antes de ir ao banheiro sempre que uso pimenta. E acrescentei no meu jargão que “pimenta no pinto dos outros é colírio”, mas no nosso é o prefácio do inferno!

    O tio deve rir disso até hoje. Mesmo tendo virado lagartixa.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s