Tourada

Fiz uma promessa à Santa Clara, preciso pagá-la. Para não ser desmancha prazeres aceitei ir a uma tourada. Fomos, seu pai e eu, o Waldemar, a Lourdes e o Sr. Diamantino.

Não gostamos, seu pai e eu, simplesmente. É uma reminiscência dos “circos” romanos, nada mais, nada menos. Tem beleza na sua coreografia – porque aquilo nada mais é que um bailado.

O toureiro, em seus passos de dança, excita ao infeliz animal a fazer o que ele quer com as picadas das bandeirilhas e da lança do picador, para no final do espetáculo, ou melhor, de parte do espetáculo, matar o touro. Sim, porque são seis touros, são duas horas de martírios para ambos: touro e toureiro. O toureiro esperando ser morto a cada instante, e dançando ao redor do animal para matá-lo. Saímos nós dois na metade do drama. O espectador se deleita e se integra como que vê lá na arena. Gritam os seus “olés”, as suas vaias e palmas quando se faz preciso.

Os trajes dos toureiros é o que tem de belo em toda a farsa. Cada um veste em cetim bordado, conforme a cor a que cada qual pertença, e a sua “quadrilha” segue-o para onde se dirija por trás da paliçada ou seja, as barreiras de madeira que protege toda a parte terrena da arena. O pobre animal é lancetado, “bandeirillado”, excitado até o clímax, isto é, a morte. E foi esta morte que não me fez bem aos nervos. Tive vontade de gritar aos quatro ventos que aquilo era um crime. Matar, pelo simples prazer em fazê-lo é mais que crime, é perversidade. Os mandamentos dizem: Não matarás! Não especifica o ser – humano ou animal. Mas aí está o homem continuando a fazê -lo. Deus nos perdoe.

Apesar de tudo é um belo espetáculo. Bem ensaiado, com todos os atores no seu devido lugar, inclusive os animais, cavalos e touros.

O edifício é grande, mais ou menos do tamanho do Ginásio do Ibirapuera. Se chama Plaza de Toros (o z tem som de ç).

O espanhol é agressivo e não sei se foi pouca sorte nossa, os do Hotel são os mais que encontramos. São “ecuetres” (cavalos) mesmo.

Madri está muito fria. Tem chovido e quem sabe encontraremos o sol em Saragoza ou Barcelona?

Sairemos depois do almoço, pois vamos fazer algumas compras.

As moças são bem bonitas e os homens mais ainda. Até aqui encontramos poucos cabeludos – deles, acredito que a maioria seja turista. Estivemos fazendo compras nas Galerias Preciados.

As moças são atenciosas, bonitas e educadas. Parece que foram escolhidas a dedo. É loja tipo “Mapin”. Tem vários andares, elevadores, as detestáveis escadas rolantes e estacionamento próprio.

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2 pensamentos sobre “Tourada

  1. Pois é, a humanida um dia será especialista de fazer espetáculo para celebrar a vida? Gritaremos “olé” quando uma vida for salva?

    bjus vovó Dina!

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