23/Maio/71 – A caminho da Itália

Monumento dedicado a Cristóvão Colombo, Piazza della Vittoria, Gênova.

09h – Estamos a caminho de Gênova (Itália). Passamos em Menton (França), em demanda da fronteira italiana, a praia é como todas as outras, escura e pedregosa, por enquanto nada mudou.

10h15 – a primeira cidade ao começar a fronteira se chama simplesmente Ventemiglia. Alcançamos San Remo – famosa pelos festivais de canções. É grande, bonita e alegre, se é que passar de carro nos dá direito de ajuizar uma cidade. A praia é a mesma das outras, o que tem de notável são as flores. Vivem do cultivo delas, cultivadas em estufas, cravos aos montes, e rosas idem. Barracas nas margens das estradas vendendo cravos em bouquê. É de endoidecer a quem gosta tanto deles. Mesmo pedindo, não ganhei nenhum.

Continuando a viagem paramos em um restaurante – mas era desses de receber bandeja e tinha gente em fila, mais que formiga. Passamos adiante e almoçamos em uma cidadezinha simpática, chamada Arenzano. Restaurante no terraço, por cima do bar, em frente ao mar. Não fosse a beleza do mar, não sei o que veria o turista por estas “plagas”. Comemos bem, servidos por um simpático velhinho italiano. Demandamos Gênova, aonde chegamos cerca de 3h30. A cidade é grande, velha e austera. Não se pode chamá-la de bonita nem alegre. Estivemos na Praça principal, onde tem um monumento dedicado a Cristóvão Colombo. Não foi possível ver direito, pois estão a celebrar o Congresso Eucarístico. Seu pai tirou umas fotografias do lindo monumento.

Cemiterio Monumental de Staglieno.

Fomos dali visitar o cemitério mais velho, mais artístico e mais famoso de Gênova. O cemitério é imenso, parece que toda a geração, desde Cristo está ali enterrada.
Sobe morro acima, numa profusão de mármores e obras de artes que ficamos a pensar nas grandes fortunas que foram despejadas ali só para embelezar um lugar que deveria ser tratado com a maior simplicidade do mundo. Em toda aquela beleza de artes e riqueza, só encontramos um porém: em torno dos túmulos simples cresce um matagal que dá para alimentar qualquer carneirada e, lá pra cima, onde ficam as obras de arte dos ricos, dos lados, em todas as galerias, um pó preto está cobrindo tudo com um desprezo imenso, não sei se o homem ou a morte. Só sei que se alguém se perder por lá, dentro da noite, de manhã vão ter que enterrá-lo, pois terá morrido de medo, mas é de tanta sujeira. Somente o chão está limpo. Tem coisas lindas, não conseguimos nem ver a metade, pois começou a chover forte e então viemos para o hotel, onde chegamos às 17h30.

Jantamos num restaurante embaixo do hotel chamado “O Príncipe”, exageradamente calmo em vista do alvoroço dos restaurantes de Nice.

Piazza della Vittoria.

Gênova atrai turistas pela antiguidade, pelos becos estreitos e escuros que dão para os apartamentos, pensões e muitos hotéis. A parte moderna é limpa e bonita, com edifícios de fachadas agradáveis e floridas.

Saímos de Gênova cerca das 10 horas do dia 24/Maio/71.

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