29/Maio/1971 – Ilha de Capri, Itália

Não sei como Tibério, imperador romano, concebeu a ideia de construir um castelo em tal lugar. Pelo nome, vocês verão que lá só habitava cabras (Capri).

A ilha é enorme, mas só um louco seria capaz de tal – fazer dali uma cidade. As estradas são em oito – digo, em forma de oito, até o cimo da mesma, (da ilha, quero dizer). Infelizmente não vimos a maior atração do local: a Gruta Azul. O mar resolveu encapelar justamente ontem. E da minha parte, lá no fundo do coração, eu estava com medo de embarcar naquelas casquinhas de nozes que são os barcos que levam lá os curiosos. Eu iria satisfeita, mas cheia de medo. Tivemos uma experiência fabulosa: fomos de funicular até o cimo da montanha. É uma sensação sem par. O Waldemar foi único que teve medo. O chão, aos nossos pés, nos dá vontade de pular para ver se não é muito alto.

Tem locais que devem atingir mais de quinze metros, mas tem outros que se formos medir, dão uns cinco metros.

Não são bondinhos, como no Pão de Açúcar, são cadeiras. O mundo está aberto diante de nós e o frio também. O engraçado é que em Barcelona eu não quis ir no de lá e em Capri, se não tivesse ido, teria ficado triste. Durante a subida e a descida, o louco do seu pai tirou um monte de fotos. Ele está feliz como uma criança quando começa a andar. Aliás, todos estamos felizes, apesar das saudades.

Na volta, que gastamos 1h35, o banco parecia que ia virar, de tão forte que estava o mar. Na ida, o tempo estava melhor e o barco era superior; gastamos apenas 35 minutos. Do mar alto avistamos Napoli.

O casario novo subindo a montanha, da beleza da cidade nova e a velha destruída pela guerra. Os edifícios que a guerra quase destruiu, e que não são poucos, estão sendo ocupados pela pobreza (que também não é pequena) até a sua total demolição. Onde vão colocar tanta gente, isso é problema deles, mas que é um grande problema, isso é. O trânsito italiano é barulhento, mal dirigido e sem nexo, igual ao nosso. A diferença para melhor na Itália é que o italiano respeita a vida alheia, ele quase que para o carro para o pedestre passar. No mais, somos irmãos. Não é atoa que o Brasil vive cheio de italianos.

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3 pensamentos sobre “29/Maio/1971 – Ilha de Capri, Itália

  1. Oi, Maíra.É muito bom receber novamente, os textos e fotos das viagens.
    Ricas lembranças e muita beleza.

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