05/Junho/71 – Frankfurt, Alemanha

Estamos novamente na estrada, apreciando o belo panorama (eu não estou escrevendo), em direção a Frankfurt. Não nos foi possível apreciar a cidade Munich, onde dormimos uma noite apenas e da qual saímos às 11h (hora local).

13h20 – Almoçamos num restaurante: Tankenund Rasten. Comida boa, sadia. O engraçado é que no cardápio já vem o almoço dividido: vários almoços completos, incluindo sobremesa (é um cardápio com vários numerados: sopa, salada, carne com acompanhamento e sobremesa).

Lourdes tinha visto na vitrine umas tortas e ficou com água na boca ao vê-las.

Depois do almoço, ela pediu as tais: uma para mim e outra para ela. Com as cinco do cardápio ficaram dezessete.

Tivemos que dar conta delas! Já imaginaram quanto doce? Engolimos tudo.

Paramos num posto para colocar gasolina (o carro). As máquinas automáticas tem de tudo. Sanduíche, sorvete, café, suco de frutas, coca-cola, frutas e um mundo de coisas. É só por uma moeda e sai comida ou bebida. Quando chegará o dia de sair criança também das máquinas, ao se colocar uma moedona? Sim, porque o homem deve valer mais que uma simples moedinha.

As florestas(?) daqui são todas plantadas com ordem. Aos lados da estrada estão elas, desde mais de meia hora, a mostrar a sua beleza verde. Não se vê uma árvore florida pois a maioria são pinheiros. E aí vamos nós ao encontro de Frankfurt.

17h30 – Foi a hora marcada pelo Sr. Diamantino e foi a hora que nós chegamos. O hotel é mais central, fica em frente à estação ferroviária e nos dá a visão de quem entra e sai de lá.

Gostei mais da estação de Milão. As estações daqui destas bandas têm de tudo – lojas, restaurantes, bares, bancos, bancas de revistas e jornais, floristas, as detestáveis escadas rolantes – detestáveis e necessárias, diga-se de passagem. E aqui em Frankfurt tem o que ainda não tinha visto: depósito pessoal para guardar bagagem. Aluga-se um, guarda-se o que se quer e fica-se com a chave até a hora da partida ou o prazo que foi estipulado pelo passageiro. É um serviço como caixa postal de correio. Só que o escaninho é bem maior, é claro.

De noite fomos fazer um “tour”, isto é, paga-se uma certa quantia e vamos de ônibus turístico a vários lugares, que são três invariavelmente.

Fomos assim em Sevilha, Barcelona, Munich e agora Frankfurt. É um negócio danado de rendoso, tanto assim que tem várias companhias. O agente ou intermediário está sempre na portaria do hotel e no ônibus, além do motorista tem um intérprete que fala três ou quatro línguas. As duas, de Munich e Frankfurt, não falavam espanhol ou italiano. Apenas inglês e francês.

Como na outra cidade, visitamos um restaurante típico. Aqui não pertence à Baviera, é outra região. Só as comidas se parecem, não usam cerveja como lá. Tomamos um ruim vinho de maçã. Não jantamos, pois havíamos feito no hotel. No tal restaurante, de músicos tinha um violino e um acordeon. Dentre os turistas com os quais sentamos na mesma mesa, tinham três italianos, um argentino, um chileno, um uruguaio e mais um brasileiro.

De modo que a conversa tornou-se quase geral. Em Munich, tinha um casal de portugueses de Porto e outro brasileiro de Santos.

O argentino e o uruguaio são dois senhores animados toda vida. Pediram que tocassem tango e foram atendidos. Então pediram um samba e foi aquela água! Não sabiam que La Cucaracha é samba? Pois eles sabem. Para seu governo, é musica mexicana ou cubana, não sei bem. Valeu a boa vontade do velho violinista.

Daí fomos a uma boate. Músicos regulares. Então fomos a um cabaré ver mais uma vez os afamados “strip tease”. Estragou a minha noite. Fiquei abafada hoje o dia inteiro! Como o mundo decaiu em matéria de moral, Deus do Céu!!!

Demos uma volta no centro comercial, para ver preço e localizar o que vamos comprar amanhã. Almoçamos em um restaurante típico italiano muito bom: “O Mário”.

Viemos para o hotel telefonar para casa. Não podemos até agora. Vamos tentar, para cumprimentar a Siomara. Faz hoje 19 anos. Deus a proteja.

Passou-se ontem de noite um negócio que vale a pena relembrar. Somente nós, no primeiro restaurante, não jantamos. No menu, vinha como uma das sobremesas queijo com música. O argentino e o chileno pediram o tal queijo, creio que mais por curiosidade. Primeiro chegaram os sorvetes que havíamos pedido e de repente o ar se encheu de um mau cheiro horrível como se alguém tivesse soltado algum gás indiscreto. Todos se olharam desconfiados (os homens), quando o argentino resolveu comer o seu “queijo com música”. O nome é bem empregado, só que a “música” não soaria bem com o nome verdadeiro.

O pobre homem empurrou o prato para lá e pediu outra coisa. O tal chileno deve ter sangue de alemão, pois comeu a porcaria com o maior prazer enquanto todo mundo torcia o nariz diante de tão angustiante fedor.

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