14/Junho/71 – Amsterdam, Holanda

Saímos de ônibus para ver Amsterdam. Deve ser frigidíssima no inverno, ela é cortada de canais, sendo 100 ao todo com 800 pontes, pelo mapa vocês verão.

Construir aqui é um sério problema, pois não existe terreno para semelhante empreendimento. As casas comerciais são todas aproveitadas das partes térreas das residências, as quais têm quatro ou cinco andares, não sei se existem elevadores, mas creio que não. As portas são estreitas para entrada e móveis, em cima de quase todas as casas tem, bem em cima, junto ao telhado, uma saliência com um gancho para fazer subir os móveis suportados por cordas e entrando pelas janelas, tudo muito estreito – portas e janelas.

Quem quiser ter casa própria e conseguir um terreno por milagre, levará uma eternidade esperando que a prefeitura o apronte. Leva, bem no fundo do terreno escavado para tal, uma grossa camada de areia, vinda de outros lugares e por cima colocam pilotis de concreto, de madeira preparada para resistir à umidade ou ferro. Esse negócio leva anos para ser executado. Depois de tudo pronto é que se constrói a casa, mas só a casa é do proprietário, o terreno é da prefeitura. Uma casa assim custa 200.000 dólares. Quem não pode ter casa assim nem encontra apartamento para alugar, aluga ou faz uma casa dentro d’água. São de madeira e tem aos montes por aqui. Não sei se são lacustre (fixada no fundo do rio) ou se em alguma coisa navegável. Só sei que são lindas de se olhar. Mas lhe digo uma coisa: Viva o Brasil!!!!!

As cidades mais importantes, além da Capital são: Rotterdam e Haia. A primeira é centro industrial e a segunda centro político.

Visitamos um Museu, não deu para ver quase nada, escolhemos a parte das pinturas, pois queríamos admirar Rembrandt. Foi um corre-corre danado, só tínhamos meia hora. Tem coisas belíssimas, mas fica no mas…….

A época das tulipas já passou, é no começo de abril até maio, também o nosso tempo aqui é curtíssimo. Só um dia. Amanhã cedo sairemos para Bruxelas.

Vimos lapidação de diamantes. Cada grupo teve o seu intérprete e o nosso falava castelhano. Só tem homens trabalhando lá. Existem várias casas no ramo, o moço nos disse que não tem diamante 100% puro. Nos mostrou desde o processo de cortar: uma lâmina de aço puro que é trocada de duas em duas horas; depois de cortado procuram moldá-lo do jeito que desejam e então começa a lapidação em lixas de aço fino. Também existe o processo de corte com o próprio diamante cortando outro. Cada lapidação exige uma paciência enorme da parte do operário, cada vez que ele passa a pequena pedra na lixa tem que olhá-la através da lupa para ver como está seguindo o trabalho. A olho nu apenas vê a pedra que está presa ao aparelho. O homem tem que estar sentado em frente à mesa que comporta três ou quatro trabalhadores ao mesmo tempo. Um operário estará pronto para esse trabalho depois de três ou quatro anos de aprendizado. O processo é lento e deve ser enfadonho, pois cada pedra, grande ou pequena, tem que ter 58 facetas para a sua lapidação estar completa.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s