22/Junho/71 – Bordeaux

Poitiers é um doce, bonitinha, delicada, é uma cidade de estudantes, águas medicinais e antiguidades. Quando o hotel é bom e a cidade agradável, só passamos uma noite. Tem comércio bom em preço e apresentação.

Paris deveria se refletir em seu interior. Mesmo as cidades mais próximas, como é o caso de Neulhy, onde mora o Dr. Bruneau. Lá é limpa, agradável e estão divididas pela linha de imaginação da fronteira. A gente sente a diferença quando entra nas ruas bonitas de Neulhy.

Bordeaux

Depois de Versailles entramos numa série de vilas maiores ou menores, agradáveis aos máximo. Ao passarmos Bordeaux, entramos em uma zona muito rica em vinho, mel e pinheirais. São quilômetros de pinheiros resinosos e de corte. Interessante é que entre eles nasce um tapete de samambaias que é uma lindeza. Pouco depois de Bordeaux paramos um instante num barracão de madeira para tomar um vinho. Uma delícia!!!! Estou tomando vinho que, se vissem, duvidariam que fosse eu mesma. É muito gostoso, inegavelmente, mas em questão de beber vinho nunca chegarei aos pés da Lourdes. Ela é uma boa boca para o tal.

De Paris a Biarritz são 689km. Esta zona da França é bem mais rica que a Cotê D’Azur. A natureza é mais pródiga, mais mãe, enquanto que a outra a mão do homem se fez sentir para vencer a selvageria dos penhascos e dar um conforto que a natureza se negou em fazer. Desde a entrada em Calais, a que chamamos a Bretanha, até aqui, Pirineus Atlânticos, a França é mais acolhedora, mais humana, mais simpática, sem me referir a Paris, que é um caso à parte.

A França encanta pela sua cor local, o interiorano francês sabe agradar, sabe viver com seus irmãos de outros pagos. Talvez seja uma vida dura de trabalho, pelo dia-a-dia, que torna o homem de certas cidades grandes agressivos, intratáveis.

Um exemplo: em Paris o nosso carro estava estacionado em uma esquina, perto do hotel, esperando a bagagem que estava a demorar um pouco, eu estava dentro do veículo e a Lourdes na calçada esperando o Waldemar entrar (viajamos os três atrás – sendo que o Waldemar senta entre nós) e, em dado momento, chegou um velhote, varredor de rua e falando asperamente deu a entender para que a Lourdes tirasse o carro dali. Ela fez um gesto, mandando-o esperar um pouco e apontou para o Sr. Diamantino, que vinha se aproximando. Ele continuou falando áspero, fechou a porta do carro com tanta força e disse que ia chamar a polícia. Sem dúvida, se não tirasse logo o carro dali. Foi por Deus que o caso ficou só nisso. O alterado Waldemar não estava e o Sr. Diamantino acalmando o infeliz, tirou o carro do lugar. Pô, aí vocês veem que o homem é o produto do meio, da própria vida.

Já no interior de Calais para cá, só temos encontrado simpatia e boa vontade em servir. Não só em hotéis, em restaurantes, lojas, postos de gasolina e alguma coisa que nos agrade comprar ou perguntar, com o nosso francês arrevesado.

Almoçamos pouco depois de Bordeaux, um restaurante simples, servido por duas senhoras. Tomamos uma sopa de caldo de carne com espaguetinho e depois nos trouxeram a carne que foi cozida para a sopa, com pepinos em conserva, também cozidos junto. Um negócio!! Depois veio frango assado no forno, batata frita em tiras e pão. Vinho e depois queijo. Olhem bem gente!! Tem sido nesse pé desde que saímos de casa. Seu pai vai estranhar demais, vai ser um tormento. O nome do hotel – café – restaurante é “Les Routiers”.

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