25/Junho/71 – Espanha – Portugal

Saída de Salamanca às 8h30 – sexta-feira. Dormiremos em Coimbra – Portugal. Fronteira com Portugal – cidade de Fuentes Onôro, é bonitinha, cheia de roseiras floridas.

Cidade Vilar Formoso – Portugal, bem arrumadinha, jeitosa, somente aduaneira e local do restaurante onde tem uma filial do Banco Borges e Irmão. As residências são feias pra burro, enquanto que no lado espanhol são verdadeiros postais.

Compramos cerejas em Guarda, no vale do Mondego. Deliciosas. O carro parou e aproximaram as mulheres com morangos e cerejas, eram apenas três, mas pareciam dez, pelo barulho que fizeram e, para nos livrarmos delas, deu o que fazer. Pelo gosto do Waldemar teria comprado todas as frutas, tem pena de todo mundo, o danado, e uma delas era velhinha, parecida com Dona Joaninha.

Estamos almoçando em Gouveia, na Estalagem D. José. O local é bastante agradável e para lembrar o Brasil tem dois pés de café. Mesmo que queiram eles nunca darão nem flores, pois estão plantados em vasos. A dona disse que tem dois irmãos brasileiros: um nascido em São Paulo e outro no Rio de Janeiro. Diz o Sr. Diamantino que português mentiroso é pior que jocão. Será??

De Guarda para cá (Coimbra, onde chegamos às 16h30) a topografia mudou sensivelmente. É delicioso ver pinheiros, eucaliptos e oliveiras se confundirem com samambaias, roseiras silvestres, rios, córregos, serras, pedras, aldeias, plantações agrícolas… é de encher o coração com saudades da nossa terra, tanto se parecem, menos as roseiras, que aqui são em profusão. As referidas flores sobem de monte acima enfeitando as pedras e subindo pelas árvores, formando muros em vários tons de rosa. Dá vontade de parar o carro e enchê-lo de todas as que estão ao nosso alcance. Na Espanha, eram rosas brancas, aqui são cor de rosa. Ninguém planta, nascem ao léu, enfeitando a primavera. Descobrimos um enorme pé de amoras e a Lourdes desejou comer, quis subir mas não teve jeito, era muito alto. Eu bati um galho seco e caíram algumas que ela lavou num chafariz. Tudo isso na beira da estrada, perto do rio que depois se transforma no Mondego, que banha Coimbra.

Os nomes das aldeias portuguesas são a coisa mais pitoresca que existe: não posso saber todas, mas vai algumas com o auxílio do Sr. Diamantino: Leomil… (não escreveu mais nada neste trecho)

Passamos por três serras: a da Estrela, da Lousã e a do Caramunho. Até Guarda, ou melhor, desde a Espanha, em grande parte do caminho o terreno é pedregosos demais. De Guarda para cá melhorou, embelezando a paisagem.

Fronteira da Espanha com Portugal: “encontramos um rebanho de carneiros, tinha mais de mil, esperamos que o dono encontrasse o local conveniente para tirá-los da estrada, o que demorou uns 20 minutos”.

Antes da fronteira (Espanha) encontramos um rebanho de carneiros, tinha mais de mil, esperamos que o dono encontrasse o local conveniente para tirá-los da estrada, o que demorou uns 20 minutos. Quem vinha ao nosso encontro podia passar, mas nós que íamos na mesma direção, não dava. Era carneiro que não acabava mais, tinham três pessoas tocando o rebanho, um cachorro e um burro.

Comentário: vou abrir aqui uma vaga para um comentário que esqueci de fazer e que agora, relendo o caderno, me lembrei. Falei atrás que Paris é maltratada com relação à sua conservação. Existe ali uma exceção: o Rio Sena. Ver o Tamisa (Londres) e o Sena é ver o universo das duas capitais. O Sena é limpo, embelezado por avenidas marginais, clubes aproveitando as suas águas para navegar, ilhotas gramadas, tudo lindo que se vê do alto a Torre Eiffel. O Tamisa nem dragado é. Sujo e feio é a nota triste de Londres; se ele fosse tratado como o Sena, Paris se envergonharia ainda mais. Ainda bem que se salva o rio em Paris.

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