Coimbra, Portugal

Demos uma olhada em Coimbra e agradou; ruas estreitas e tortuosas, lojas pequenas, comércio incerto, mas não existe empurra, empurra. A cidade é mais velha que Inês de Castro, pois a infeliz Rainha foi assassinada aqui. Tem a Travessa do Gato, acho que ali se escondem gatos para fugirem dos cachorros – mora gente lá também. No Convento de Santa Clara está o túmulo de Santa Isabel, a Rainha que transformou os pães em flores para fugir da ira do marido. Tem a sua história a velha Coimbra, como todas as coisas velhas da macróbia Europa.

Estamos de volta para casa e depois de 50 dias tomando chá de carro por esta Europa sem fim. Não se pode dizer que a conhecemos nem a vimos, demos apenas uma ligeira olhada, como quem vai a um cinema para assistir um filme que nos agrada e depois de duas horas de projeção volta-se para casa com a sensação de que se fez um belo passeio. Não se pode ver tudo, é verdade, mas demorando um pouco mais nas cidades, mais dignas de nota, seríamos capazes de, mais descansadamente, visitar e anotar as coisas mais interessantes. Ainda assim demandaria tempo e naturalmente… dinheiro.

A trupe com a Fátima (pelo menos suspeito eu, pelo andar da carruagem ou ordem dos slides, que essa seja a Fátima)

Amanhã iremos ver Fátima e teríamos gostado também de ver Lourdes, mas infelizmente o tempo não deu. Essas visitas faremos como quem as carreira. Museus, igrejas, castelos e palácio, catedrais, parques e monumentos, ruas e praças – dariam matéria para três cadernos desses se pudesse, com eles nas mãos, tomar nota diretamente do local.

Sei que não tenho o direito de reclamar, nem o estou fazendo, recebi mais do que esperava, mas se algum dia ainda fizer tal viagem, o que não espero, terei o máximo prazer de fazer cada lugar por sua vez. Esta correria cansa e aproveita-se pouco.

Estátua de D. Joao III na Universidade de Coimbra.

Na hora da saída de Coimbra, o Sr. Diamantino fez por bem em nos levar a fazer uma visita à primeira Universidade de Coimbra – famosíssima. Estivemos primeiro na biblioteca; é de admirar que já naquela época se fizesse coisas pensando na educação no futuro. A delicadeza do trabalho de talhar é de embasbacar. A primeira sala é de história, literatura e geografia; em madeira verde e os desenhos em talha, entremeados de dourado tornam o austero ambiente alegre e brilhante.

A segunda sala é em vermelho e guarda os volumes de medicina, filosofia e ciência. A terceira sala, imitando a primeira na cor, tem em suas prateleiras história, literatura e geografia. Todas tem trabalho de talha entremeados de dourado e as grandes mesas que habitam em cada sala correspondem à cor do ambiente. Os desenhos são diferentes em cada uma delas. Foi fundada por D. João V, em 1724. Encimando cada porta tem o emblema dos ensinos correspondentes na Universidade, ou sejam: Medicina, Matemática, Direito, teologia, Retórica e Direito Civil. No fundo da última sala, em frente à porta e abaixo do último emblema, está o emblema do direito canônico e abaixo do mesmo a pintura do Rei D. João V.

O livro mais antigo data do século XII e eles têm de várias épocas, em diferentes línguas e vários manuscritos.

São 40.000 volumes a riqueza da biblioteca e os tetos, de incrível beleza, foram pintados por Antônio Simões Ribeiro e Nunes Vicente, portugueses.

As mesas são em pau rosa, ébano e mogno.

Subimos e depois de uma conversa do Sr. Diamantino com o simpático guarda, ele nos mostrou a Sala do Capelo. É muito bonita também, com suas pinturas. Foi sala do trono, pois antes de ser Universidade foi residência real. Foi D. Diniz quem fundou a Universidade. A Sala do Capelo é onde são formados os universitários e onde os homens considerados dignos são condecorados. Nós a vimos de um dos balcões onde ficam as damas convidadas especialmente para as cerimônias. Deve ser altamente emocionante ver um ente seu ser condecorado ali. Tem a orquestra que toca o hino de cada nacionalidade do homem chamado para receber o diploma ou a condecoração. A cerimônia da guarda com as lanças longas e as curtas (que não sei o nome) e o mestre de cerimônias com a sua comprida bengala. O negócio deve ser lindo!

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