16/Junho/71 – de Bruxelas a Londres

Saída de Bruxelas às 7h15 – Chegada em Ostende, porto para travessia obrigatória para quem vai a Londres – 8h45 – Travessia do Canal da Mancha.

Em Bruxelas ainda está chovendo e fazendo um frio de quatro graus. Entramos no barco às 10h.

Acabamos de almoçar e o barco continua singrando os mares do Norte, atravessando o grande Canal e não sei quem teve a ideia de atravessar isto a nado. Só mesmo um louco.

Navegamos 3h15. Mais uma hora e eu teria posto o almoço para fora. Nem a travessia da volta de Capri foi tão ruim. Enfim, aqui estamos em Londres, apreciando o orgulho dos ingleses e com justa razão. Como eu esperava das suas casas de residência, a arquitetura é fora do comum. Não vimos em outra cidade da Europa nada igual. São lindas e graciosas. São diferentes. Só não gostei das chaminés. Destoam completamente das casas. Dá a impressão de uma chaminé mãe, com uma porção de filhotes. Horríveis! O hotel é muito bom e para alegria do seu pai o pessoal do restaurante é espanhol. Amanhã iremos ver a cidade. Depois contarei o que puder.

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15/Junho/71

Saímos da Holanda cerca das 8h, entramos na Bélgica às 10h35. O tempo está horrível, desde ontem de tarde que chove e o frio aumentou e a minha garganta está sentindo demais com o clima. Infelizmente todos têm que aguentar o meu tosse-tosse.

Na cidade de Rotterdam passa-se por um túnel construído embaixo de um rio, tem mais ou menos 1,5 km de extensão.

Na Bélgica, perto da fronteira, ou melhor, nas cidade próximas à fronteira com a Holanda, fala-se o flamengo, que deve ser uma mistura de francês e holandês. Não sei em que altura se faz essa mudança, mesmo que não estivesse chovendo, seria difícil sabê-lo. Tudo nessa Europa é complicado, tem fronteiras que exigem os passaportes, carimbam, leem, olham para os retratos e depois a cara da gente; em outras não tomam nem conhecimento se estamos entrando ou saindo.

Se olhassem muito para o Antenor, não o deixariam entrar, pois um barbeiro em Copenhagen quase lhe acaba com o bigode. Se o homem compreendesse o português, ele não teria só lábio cortado (recebeu uns 5 cortes), teria o pescoço também. Ficou horrível. Está a deixar a crescer para fazê-lo em Portugal.

Vamos rezar para Santa Clara, quem sabe o tempo melhora!!!! Chegamos às 12h30.

16h – o ônibus que iria nos pegar às 14h, chegou agora para nos levar à Bruxelas. A cidade está um pouco abandonada, tem-se a impressão que o povo daqui ou não preza a cidade ou parou no tempo, apesar da boa vontade do guia em nos mostrar algo que podia e devia ter e não existe. É pena também a chuva não ter nos ajudado. O mais bonito que vimos foi a Praça do Mercado. Deve ter havido alguém ali, mas agora não tem nada para comprar ou vender a não ser restaurantes, cafés, cabeleireiros e uma porção de coisas. O que atrai são os edifícios em estilo barroco-flamengo, lindos apesar da má conservação.

Interessante é a fonte que se tornou o emblema belga. Uma criança de bronze fazendo xixi há mais de um século. Tem uma carinha risonha e sem vergonha. É uma fonte que fica em uma esquina, no lugar mais despretensioso possível.

A Catedral, onde são coroados os reis, é muito bonita exteriormente (não entramos). O parque onde está o Palácio Real vale a pena ser visto. Tem pouca coisa notável a pequena e simples Bruxelas. Teria muito mais se fosse mais amada. O que vimos de mais moderno foi o local onde aconteceu a feira mundial em 1958. É um troço fora do comum. Tem não sei quantas esferas enormes (seis ou oito) e tem dentro restaurantes e uma porção de coisas. São seguradas umas às outras por tubos que, sem dúvida lá dentro, tem escadas ou elevadores. Pedi ao seu pai para comprar um cartão com as fotos, só assim vocês terão uma ideia do negócio. Não sei se ele lembrará.

Acabamos de jantar no hotel e almoçamos aqui também. Estou deitada escrevendo. O Antenor saiu com a Lourdes e Waldemar, não sei como aguentam, principalmente o Waldemar, bancando o caipira fanfarrão. Nesse frio danado, com uma roupa de gabardine e camisa de meia manga de malha de algodão. Já fiz de tudo para que aceite o pulôver do seu pai, mas o diabo é mais cabeçudo do que burro quando empaca.

Compraram Terramicina para mim, essa desgraçada da garganta parece que tem fogo lá dentro.

12/Junho/71 – a caminho de Amsterdam

Sairemos pelas 8h30 ou 9h para Hamburgo, se Deus nos ajudar chegaremos em paz. Chegamos às 17h.

13/Junho/71 – Hamburgo – Amsterdam

Alemanha, Dinamarca, Suécia, Holanda e Bélgica (clique na imagem para ampliar o mapa)

– partimos de Hamburgo para Amsterdam. Meio dia chegamos à última cidade alemã – Kalmar (não encontrei no mapa). Ainda que pareça incrível, não nos pediram passaporte, nem no lado alemão nem do lado holandês.

Chegamos às 17h35, fomos jantar às 19h e os três saíram para fazer um “tour”. Eu fiquei para não piorar a gripe. Amanhã me juntarei ao grupo. São 21h, está querendo anoitecer na cidade de Amsterdam. Somente as casas na Holanda têm a mesma arquitetura das outras da Alemanha, Itália, Suécia, Suíça e Dinamarca. O resto é diferente. O represamento da água começa praticamente desde a fronteira. Tem mais pasto e gado pastando do que plantação de cereais.

Não pude ver como queria porque estava muito mole devido à gripe, tossindo muito e não sei porque com um sono danado. Amanhã, tomara Deus, verei melhor tudo, então procurarei relatar da maneira mais verdadeira.

Nas casas e apartamentos por estas bandas pode faltar o que quiser, menos flores e cortinas nas janelas. Quando não existe varanda ou jardineira, as flores e os enfeites são por trás das vidraças. Junto com as transparentes cortinas e quase sempre rendadas, formam um efeito maravilhoso. Até nos restaurantes e motéis se encontram janelas encortinadas. Gerânios de uma variedade de cores e estilo que encantam, hortênsias enormes, de cores várias, as rosas sempre são em trepadeiras, enfeitando muros, janelas, portões, grades, caramanchões e jardins. Sempre tem “eras” subindo pelas paredes, modelando casas e apartamentos, tornando-os mais bonitos, se for possível. Aqui existe um profundo amor pelas águas e árvores.

Nas pequenas propriedades, as casas geralmente de dois pavimentos e as indefectíveis águas-furtadas são todas rodeadas de árvores. Só que elas (as árvores) por aqui dão flor, a não ser que sejam frutíferas, mas mesmo assim é de notar a ideia de saúde que eles têm diante da purificação do ar através da árvore e da água.