21/Maio/71 – Começa a Riviera Francesa

Saint Tropez.

Saint Tropez – 11h30
Não tem mais que as outras cidades praianas. Só que é francesa, está fazendo frio e tem comércio e rosas.

Saint Maxime – 12h30
Não existe novidades nessas afamadas praias. Nada que nós não tenhamos iguais ou mais bonitas.
Restaurante “La Reserve” – almoço servido por uma linda mademoiselle.

Saint Tropez

Saint Raphael – 14h30
É uma grande cidade praiana, bonita, espalhada em frente ao mar. Belas residências, avenidas floridas, hotéis e restaurantes pitorescos formam a bem arrumada Saint Raphael. O comércio deve ser muito bom e muito caro também, como tudo é caro nesta França, da antipática Brigitte Bardot.

Vila D’Anthéor (Anthenôr) – 15h
Tudo que tem nela pertence a ele. Rochas, mar, residências… tudo. Terreno escarpado, perigoso para banhos, mas é o que tem de mais belo – Côte d’Azur – é realmente muito bonito o mar por aqui.

Miramar – 15h30

La Napoule – 15h35
Bonitinha – praia com areia escura

Cannes

Cannes – 15h45
Aglomerado de barcos, casas, gente, avenidas largas e arborizadas. Cannes é o maior até agora, de todos os atrativos à beira-mar da Riviera Francesa. Cada hotel que só a fachada vale um sonho, calculem por dentro. Um mar de rosas enfeita este imenso jardim-praça.

Somente rosas grandes, pequenas, vermelhas, cor-de-rosa. As bordas dos canteiros são em flores amarelas. Os caramanchões são de rosas trepadeiras em várias cores e tipos. É a flor que maior cultivo tem pela Europa, pelo menos na parte que vimos até aqui. Rosas e geraniuns.

Antibes – uma continuação de Cannes, pois nestas vilas não se sabe onde começam umas e terminam outras.

La Fontaine – La Bragne e daí por diante até Nice, a maior de todas as praias, mas nem por isso a melhor. O centro comercial de Nice é decerto a atração principal desta enorme cidade. Suas ruas estreitas, cheias de perigo para as mulheres e desastre financeiro para os seus companheiros!!!!

Suas bem montadas casas de negócios – lojas de roupas feitas para ambos os sexos, sapatarias, joalherias em grande quantidade, movelarias, restaurantes simples e requintados: tudo arrumado de forma a atrair ao incauto passante que cai como mosca no mel. As praias propriamente ditas, com areia, não existem em Nice. O que há é um pedregulho cinza escuro resultado do represamento da água, para poderem fazer a linda e longa avenida. O mar sim, como sempre, dá a sua nota em elegância e beleza… Deve ser muito bom para velejar. Cannes é bem simples e, no entanto, tem o encanto das flores, da amplitude, apesar de ter, talvez a metade de Nice.

Se esse povo que vem tomar banho nas praias, desde Saint Tropez até Nice, vissem as nossas praias, isso aqui perderia todo e qualquer atrativo que tem para o turista. Infelizmente não estamos preparados para tais eventos. Basta, por enquanto, que eles descubram as praias portuguesas, que são lindas e têm a vantagem de ter areia na beira do mar. Aqui é areia escura ou como terra, ou rochas escarpadas ou pedrisco. Não é exagero. Que, já viu isto por aqui saberá que estou dizendo a verdade.

Riviera Francesa

Jantamos ontem, em um restaurante típico italiano. O local é pequeno, cheio de gente até as bordas, gente em pé esperando, incluindo nós que levamos uns 15 minutos montando guarda. São apenas 6 garçons “elétricos” que procuram da melhor maneira possível dar conta do recado.

Nunca me diverti tanto em um restaurante, são duas ou três mesas retangulares, unidas pela cabeceira. Ali sentam sete ou oito pessoas e, em nossa mesa fomos nós quatro e um casal de americanos com uma filha. O esforço dos garçons para nos servir é uma verdadeira pândega. Comemos lasanha verde com vinho. Ótimo. A sobremesa foi morangos. Ótimo outra vez. O nome do restaurante é “O Palermo”.

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20/Maio/71 – França

Vovó Dina com seu diário no hotel Roy René, em Aix-en-Provence.

Passamos a fronteira sem novidades até agora, graças à Deus.

Estamos almoçando em um Euromotel Roussillon – Restorante de Salses. Avistamos ao longe os Pirineus. Não sei se os veremos de perto. A topografia mudou um pouco. Antes se entrarávamos em território francês, víamos coisas lindas em cerâmica, fábricas e mais fábricas da linda arte. Vasos, pratos para parede, jarros para água, vasos para flores, estátuas, estatuetas e uma infinidade de coisas úteis e para enfeites. As estradas, na maioria, são arborizadas. Lembra a que vai para São Lourenço, via Engenheiro Passos. A diferença é que aqui é feita pela mão do homem (a arborização, bem entendido) e lá foi a natureza. Vê-se vinhedos em profusão. Anda-se quilômetros só avistando vinhedos brotando, pois a poda já se fez e eles estão se preparando para dar ao homem os seus saborosos frutos.

Chegamos em Aix-en-Provance cerca das 18h15. Cidade velhíssima pois deve ser do tempo dos Reis Luiz, senão mais velha. Bem cuidada e tem que ser cheia de requintes como o velho francês sempre quer ser, apesar dos tempos modernos.

É ampla, cheia de árvores e muito limpa, só que não é o meu tipo. Acabamos de jantar e a Lourdes e eu viemos para os quartos. O Antenor e o Waldemar foram fazer o “quilo”. O Hotel é magnífico. Até hoje não havia me hospedado em um quarto tão “chic”, para usar o termo francês. O quarto é amplo, na entrada tem, do lado esquerdo, um sanitário e um grande e fundo armário. Em frente duas portas: uma para o quarto propriamente dito e a outra para o quarto de banho. No quarto de dormir, com paredes forradas de papel com linda estampa de aves esvoaçando em galhos de árvores, em tons levemente azulados, pássaros de várias cores, do azul passando para o verde, rosa vermelho e tons de amarelo. Tudo isto em fundo creme. Duas camas de ferro dourado, cobertas com cobertores amarelos e lençóis alvos. Duas cadeiras simples e duas poltronas forradas em seda verde. Entre as duas poltronas havia uma mesa branca com tampo de vidro.

Fernandina em quarto de hotel em Aix-en-Provence, na França

Ao lado de cada cama um criado mudo, brancos e, no lado esquerdo uma secretária com pasta para escrita, com tampo vermelho e pintada de branco, telefone e porta mala. Armário com prateleiras e, na porta, do lado de fora, um grande espelho. Portas, armários e barra das paredes são brancas também. O chão é coberto por um carpete vermelho escuro com coroas e ramos de folhas em verde e amarelo.

O banheiro tem duas portas: uma que dá para a entrada ou “hall” e a outra para o quarto. É estreito em proporção ao comprimento, tem a mesma extensão do quarto e uns dois metros de largura. É branco e cinza, sendo que o tampo da mesa toillete é em grafite, cortina verde no quarto e branca engomada no banheiro.

Nas poltronas panos brancos com rendinhas nas bordas, e engomadas. É adorável para dois pombinhos em lua de mel. O piso do banheiro é em pastilhas grafite escuro, salpicado de pastilhas brancas, geladeira pequena, bem sortida, branca também e um grande armário de porta escura. Banheira enorme, bidê, duas pias e box com chuveiro, com portas de correr de vidro.

O Antenor estava procurando a razão do movimento tão intenso desta pequena cidade. Ela é próxima de Nice, cidade de jogos, cassinos e de Mônaco, principado que vive em função de Monte Carlos. É natural que a vida das cidades circunvizinhas tenham intenso movimento. Mesmo que aqui não houvesse cassinos (tem quinze) o grosso dos turistas e jogadores que não encontrassem ou não quisessem ficar por lá viriam para cá, pois estamos há 180 e poucos quilômetros de Nice. Só passamos uma noite aqui. Estamos com pena de deixarmos o belo e simpático Hotel Roy René. É também cidade de concertos musicais e uma Universidade para estrangeiros.