Palácio de Queluz

Palácio de Queluz

Palácio de Queluz – É uma cópia do de Versailles, em miniatura; foi construído por D. Pedro II para a Rainha D. Maria I, de quem tem o retrato em quase todos os aposentos. A visita começou com a sala do trono e depois a sala de D. Miguel (irmão de Pedro I – Imperador do Brasil). A seguir os quartos das três princesas (que não cheguei a saber os nomes) – o primeiro quarto é em estilo D. Maria I e os outros dois em estilo império; vendo é que se nota a diferença e todos com suas maneiras de terem estilos diferentes são bem bonitos. Muitas peças são forradas em seda pura, de listas, estampadas, lisas ou vários outros motivos, todos muito bonitos.

Não tem a beleza e elegância do Palácio dos Reis em Madri, mas nem por isso deixam de ter a sua história, talvez mais triste que alegre. Vem depois em sucessão: capela particular das princesas, com móveis do século XVIII, sala de fumar – móveis em estilo império com retratos de D. João VI – D. Pedro – D. Maria Amélia e Carlota Joaquina; sala de jantar com dois bonitos biombos chineses; sala de música com um cravo estilo inglês; sala de estar da Rainha, corredor de azulejos; sala de despachos com cada coluna e vãos de janelas representando várias partes da Europa e as quatro estações do ano; sala de estar; outra sala estilo D. José (?) com móveis em madeira do Brasil; sala dos embaixadores; sala do conselho com pintura representando a ruina de Pompéia, feita pelo pintor português Pedro Alexandrino; toucador da Rainha; quarto onde morreu Carlota Joaquina; oratório da Rainha; quarto onde morreu D. Pedro IV (primeiro do Brasil); oratório do Rei; sala das merendas com um lindo teto em estilo mourisco.

O que tem de beleza real e conservação são os jardins, é um encantamento. O Palácio está pouco conservado, cheio de umidade estragando a beleza que ainda resta.

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Universidade – anterior ao reinado de Dom Fernando – Hotel Afonso XIII ou Andaluz Palace

Universidade, também em estilo mourisco, feita anterior ao reinado de Fernando de Castela (hoje Santo não sei porque) é hoje um Seminário. É grande e imponente e com todas, ou quase todas as grandes construções de Sevilha, incluindo a Catedral, as torres, ruínas de muros mouros, castelos, e o próprio Alcazar, o hotel Afonso XIII ou Andaluz Palace – tudo é de cor escura. O interessante é que nas vilas e pequenas cidades quer portuguesas, quer espanholas, a cor predominante das residências – casa comum do povo, são todas caiadas de branco. A não ser as partes novas, construções recentes, tudo o mais é idéia do Sr. Antenor: branco, só branco.

Não me referi até agora a nossa bela mãe portuguesa. É um capítulo à parte em qualquer história de brasileiros que se preze e que saiba respeitar aquela que lhe deu o ser. Portugal nos toma o coração de assalto pela beleza e simpatia.

A fidalga acolhida que recebe o brasileiro em Portugal dá-lhe o direito de pedir sempre mais. A maior emoção que senti foi ao chegarmos ao Monumento dedicado ao Infante Dom Henrique, que foi inaugurado em 1960 por Juscelino – e que (nos disse o Sr. Diamantino), a avenida que passa beirando o Tejo, se chama simplesmente: Avenida Brasília.

Imponente, orgulho de brasileiros e portugueses. O monumento que fica a sobranceiro do Tejo, como que sonhando com futuras conquistas cujos desfecho foi a nossa terra; é linda na austeridade das figuras de seus homens sérios que se propunham em fazer grandes feitos.

As avenidas e praças, grandes, largas e floridas são um prazer para o olhar desprevenido de todos nós. Assim como Lisboa nos encanta, com seus castelos, suas residências, igrejas e tudo que compõe essa belíssima capital; o seu folclore e o interior do País nos deslumbra mais ainda.

Estivemos em dois restaurantes típicos: o “A Severa”, onde no fundo do salão principal, sobre um pequeno palco iluminado e com luz indireta, se encontra uma boneca, representando a infeliz fadista que morreu por muito amar o seu Marquês de Marialva, morto numa tourada.

Lá vimos e ouvimos vários fadistas. Entre eles estava um par de dançarinos que nos presenteou, e a todos que lá estavam para vê-los, com as danças típicas das aldeias portuguesas. Não podem imaginar a beleza que é tudo isto aliada à simpatia que é nata no portugueses.

O outro típico restaurante foi “Parreirinha da Alfama”. Pelo nome e vendo o bairro vocês compreenderão que infelizmente a fama não é das melhores. O restaurante é pequeníssimo, mas requintado. Recebe gente influente desde Café Filho até Wilson Simonal. É realmente muito agradável. Servido e dirigido por mulheres educadas e graciosas. Comemos e bebemos muito bem num e noutro.

Vista do Castelo de S. Jorge ou Castelo dos Moiros, Lisboa.

Na volta à Portugal, descreverei melhor (se puder). Ainda vamos ver várias coisas. Só vimos de perto, percorremos até o Castelo de S. Jorge ou Castelo dos Moiros. São ruínas do Castelo dos árabes quando Lisboa viveu sob seu domínio durante, parece, seis séculos.

Espanha e Portugal tem tanta influência moura que se vê por toda parte a melhor herança que eles podiam deixar para os dominados: a arquitetura. É simplesmente notável. Desde um simples muro à uma trabalhada chaminé. Casas brancas das aldeias e os seus nomes como Algarve e outros. As praias portuguesas não perdem em beleza diante das nossas. Quem disse que só no Brasil existe beleza – ou é cego ou não conhece o resto do mundo!

Assim como em Lisboa, fomos a uma espécie de show aqui em Sevilha. Uma pista circular quase ao centro da sala. Ao redor, cadeiras em profusão ladeando pequenas mesas redondas onde servem bebidas. Um grupo de 8 ou 10 bailarinas dançaram representando diversas aldeias espanholas. Não tem beleza o que se vê no cinema ou televisão. As cores, a agilidade dos bailarinos, os lindos trajes típicos espanhóis faz-nos esquecer tudo o mais que não seja vê-los e apreciá-los.

As castanholas, não são um mero enfeite nas mãos dos dançarinos espanhóis. É um instrumento que acompanha a orquestra, ao bailarino e muitas vezes sola. É lindo de ver e ouvir. Entusiasma ao espectador ao ponto de fazer como o americano velhusco, que foi para o tablado e se saiu muito bem da empreitada.