Copenhagem

São 150km até Copenhagen. Estamos procurando um restaurante para almoçar, são quase 13h.

O restaurante é um encanto, um capricho de dona de casa, nem todas, pois infelizmente não tive tempo nem recursos para o capricho e agora já passou da época para os interesses materiais, embora talvez se pense de outra maneira.

Quem serve no restaurante é uma senhora falando inglês, para o entendimento do Waldemar e do Sr. Diamantino. Cada janela tem uma cortina vaporosa com renda e entre elas um complemento em fazenda estampada, de muito bom gosto – Motel Guldborg.

Hotel 3 Falcões – Copenhagen-Dinamarca

Nunca em toda a minha vida sonhei com esta viagem, muito menos estar hoje em Copenhagen. Só desejo, sinceramente, que um dia vocês possam fazê-la….

A cidade atraí pelas suas ruas amplas, avenidas imensas, povo simpático e educado. Os nossos motoristas de táxi deveriam ter umas aulas de educação para imitar um pouco os europeus. Até agora não encontramos nenhum mal educado, caladão sim. Mesmo os italianos, que neste ponto são bem irmãos nossos, têm um pouco mais de cortesia. Hoje pegamos um táxi (taxa – como fala o dinamarquês) e nos deparamos com um senhor que nos mostrou a cidade com a maior deferência. Fala pouco o inglês, mas deu para o Waldemar entender. Mostrou-nos os pontos mais interessantes da cidade e amanhã iremos de ônibus para ver melhor. Hoje à noite, seu pai e o Waldemar vão ver as loiras nuas de Copenhagen. O negócio é tão sério que o Waldemar pediu à Lourdes para não ir. Sim, porque ela indo ou não, sinto muito mas não irei. O mundo noturno já tem espectadores demais para suas pornografias, não precisa ser aumentado pela minha “persona grata”.

Ópera de Copenhagem

Irei ao Moulin Rouge, porque dizem ser arte verdadeira, não existindo simplesmente exposição de sexo. O Waldemar acha a coisa mais natural do mundo e não acha que eu tenha razão em não querer ver. Nós vimos as coisas por outros olhos. O nu, no meu ignorante julgamento, é para ser visto como beleza, se assim se consegue compreender.

Mas fazer do nu meio de vida para gozo sexual, exposição de sexo, como quem vende mercadoria, não aceito esta teoria. O sexo é coisa divina, não é disfarce de bacanal nem de prostituição. Enfim, cada um enterra seu par como pode.. e isto tudo é visto a peso de ouro, custa uma nota ver esta porcariada toda.

Waldemar e Antenor terminaram não indo ao cabaré….

Vimos uma rua tipo Barão de Itapetininga, só que bem mais larga e tem até mesas de restaurante na rua. É comercial também, tem bonitas lojas e coisas lindas e diferentes em exposição.

Zurich, Hamburgo e Copenhagen têm alguma semelhança por causa das águas que banham. Zurich tem um lago enorme, bonito toda vida. Hamburgo também tem lago e é porto fluvial, pois o Rio Elbe lhe serve para isto. Como disse atrás, não deu para ver direito, apesar do nosso hotel ficar pertinho do lago, só da janela pudemos ver qualquer coisa. Às 21 horas ainda era dia, mais por isso deu para apreciarmos. Os dias aqui ficam cada vez mais longos, pois às 3 da manhã já está claro. Não sei as horas em que começa a amanhecer.

Copenhagen tem canais cortando vários pontos da cidade e o mar que lhe dá um grande porto livre. Somente em Zurich tivemos realmente água doce no banheiro, o resto é salobra demais. Em Madri foi um pouco melhor, mas mesmo assim talha sabão que é uma beleza.

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Madri – Palácio Imperial ou do Oriente

Nem em sonhos se tem idéia da beleza que encerram estas paredes que guardam os espíritos, as almas, aventuras e tristezas de Reis e Rainhas. As vitórias, às custas de vidas inocentes dos peruanos e americanos da nossa América do Sul, deu ouro suficiente para o esbanjamento que se admira hoje como riqueza e como reminiscência.

É uma orgia de ouro, prata, pedras preciosas, bronze, mármores. Os relógios em quantidade de 400, incrivelmente belos, marcam as horas há mais de 1.000 anos. Existem 14 Km de tapetes conservados para admiração do público. São bordados em lã e ouro, pintados e tecidos. As galerias que guardam os quadros são várias. A pinoteca é uma fábula.

Nós veremos, sem dúvida alguma, coisas mais belas, mas o Palácio Imperial de Madri nos tocou mais de perto, talvez pelo entendimento latino-americano. Madri é grande e bem traçada com suas largas avenidas ajardinadas. Que também tem as suas ruas estreitas e perigosas, isso tem.

Acabamos de almoçar divinamente num restaurante que existe há 185 anos e que tem o nome de Restaurante Antiga Casa Sobrino de “Bótin”, Rua Cuchilleros, n.º 17.

Depois saímos a pé debaixo de garoa, vendo vitrines. Coisas lindas, especialmente os trabalhos de artesanato feitos em Toledo. As ruas estreitas que existem em Sevilha e Madri, talvez também em Toledo, fazem lembrar os romances de Capa e Espada tão difundidos há 40 anos mais ou menos.

Não é ficção. Havia naquela época mais possibilidades de assaltos, fosse para matar ou roubar, do que hoje, pela pouca ou nenhuma iluminação. Mas que o perigo persiste, não tenham a menor sombra de dúvida.

Em Portugal, ou melhor, em Lisboa, também existem as tais ruazinhas para prazer dos aventureiros, que nada mais são que assassinos em potencial. Já agora, nesta época de turismo, elas são conservadas mais como atração, e permita Deus que seja apenas para tal fim. É um verdadeiro formigueiro humano. Em Lisboa, onde nós as vimos em abundância foi no bairro de nome Alfama.

Um pequeno se grudou no Waldemar, que não o largou enquanto não recebeu alguns escudos. Eles, os habitantes do bairro, fazem uma espécie de feira, ou mercado, nas portas das moradias, onde se vende de tudo. Flores, verduras, frutas, peixes, carnes e roupas. As casas, tipo apartamento, não tem área de serviço, pois são construções milenares, e o homem, infelizmente, veio pensar em seu próprio conforto em época bem recente. E por isso as roupas lavadas são estendidas em varais improvisados nas janelas ou nas portas de entrada. Junto às flores que enfeitam varandas, janelas e portas numa mistura encantadora de cores, formam um adorável espetáculo.

Os dois países se irmanam bem nessas paisagens. Não fosse a limpeza que os diferenciam e a antipatia que os repele mutuamente, não se faria grande diferença entre as duas belíssimas nações.

E ademais a influência moura, os devia unir ainda mais. A arquitetura é o que há de mais belo e delicado. Nos trabalhos de madeira (entalhe), é que se vê de que são capazes os árabes.

Em Sevilha, onde visitamos com vagar o Palácio, hoje desabitado, mas que foi residência de sultões e depois de Reis espanhóis (infelizmente o vândalo Carlos V destruiu e fez reconstruir a seu bel prazer, na feia arquitetura da época, aquilo que o seu mesquinho espírito fez destruir).

Mas, como disse acima, o entalhe é qualquer coisa de notável. Aquilo não é colado nem preso com pregos. É simplesmente encaixado. Os desenhos dos tetos caem em contraste gritante com o piso. Não pode existir trabalho mais delicado nem mais belo. – Só pode ter igual. – O chão é de pedra bruta, pois era todo recoberto de preciosos tapetes árabes. Foi a riqueza da imaginação e da arte que o árabe, apesar de sua rudeza, legou ao europeu dessa parte do Velho Mundo, mas que ele (o europeu), apenas mostra aos curiosos, não procura imitar.

Ontem visitamos o Palácio Imperial e hoje o Vale dos Caídos – monumento aos mortos da Guerra Civil. Fica no distrito do Escurial, onde era a residência de verão dos Reis, de quem o distrito herdou o nome.

Não vimos o Escurial (palácio) apenas a Igreja de S. Filipe que faz parte do mesmo com um Mosteiro. A Igreja é imensa, mas o que mais nos atrai é o altar-mor.

A parede é toda revestida de pinturas com cenas sacras e imagens de santos em ouro puro. Mas, apesar da beleza, o que mais realça é o Sacrário. Deve ter em todo o seu tamanho, mais de 1 metro de altura por uns 1,80 de circunferência. Todo em ouro e revestido de pedras preciosas, é deslumbrante.

Estávamos com pressa, por isso não nos aproximamos o bastante para ver melhor. E estavam a celebrar a missa. A pressa é causada pelo desejo de ver o Museu do Prado. O Vale dos Caídos fica numa montanha.

Eles, os arquitetos, devem ter dado tratos a bola para resolverem o assunto de forma a não sacrificarem o espírito da intenção (aos mortos), e nem a beleza local. Existe simplicidade, beleza e imponência. Cavaram na rocha de pedra, um túnel onde construíram a capela. Tem duas portas para se chegar ao interior, depois subir uma grande escadaria. A primeira porta é de madeira lavada, a segunda em ferro trabalhado.

Sente-se um respeito religioso como se realmente ali estivessem os bravos moços sacrificados por aquilo a que o homem dá o nome de – Liberdade!

Ao fundo fica uma cruz com um Cristo em tamanho gigante e nas laterais imagens da Virgem Maria e Jesus. Tapetes com cenas bíblicas enfeitam as paredes entre as imagens. Ao se descer a escadaria que dá para a nave principal tem dois anjos da morte, em bronze. Gigantes em tamanho e em beleza. Um pátio imenso em duas divisões, com acesso em escadarias, tem uma vista maravilhosa, sobre pinheirais e penhascos cheios de pedras.