túnel do tempo: José Lieb

Atendendo o pedido de um leitor, Paulo Lieb, publicamos aqui uma foto de seu avô dançando com a Failde.

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Madri – Palácio Imperial ou do Oriente

Nem em sonhos se tem idéia da beleza que encerram estas paredes que guardam os espíritos, as almas, aventuras e tristezas de Reis e Rainhas. As vitórias, às custas de vidas inocentes dos peruanos e americanos da nossa América do Sul, deu ouro suficiente para o esbanjamento que se admira hoje como riqueza e como reminiscência.

É uma orgia de ouro, prata, pedras preciosas, bronze, mármores. Os relógios em quantidade de 400, incrivelmente belos, marcam as horas há mais de 1.000 anos. Existem 14 Km de tapetes conservados para admiração do público. São bordados em lã e ouro, pintados e tecidos. As galerias que guardam os quadros são várias. A pinoteca é uma fábula.

Nós veremos, sem dúvida alguma, coisas mais belas, mas o Palácio Imperial de Madri nos tocou mais de perto, talvez pelo entendimento latino-americano. Madri é grande e bem traçada com suas largas avenidas ajardinadas. Que também tem as suas ruas estreitas e perigosas, isso tem.

Acabamos de almoçar divinamente num restaurante que existe há 185 anos e que tem o nome de Restaurante Antiga Casa Sobrino de “Bótin”, Rua Cuchilleros, n.º 17.

Depois saímos a pé debaixo de garoa, vendo vitrines. Coisas lindas, especialmente os trabalhos de artesanato feitos em Toledo. As ruas estreitas que existem em Sevilha e Madri, talvez também em Toledo, fazem lembrar os romances de Capa e Espada tão difundidos há 40 anos mais ou menos.

Não é ficção. Havia naquela época mais possibilidades de assaltos, fosse para matar ou roubar, do que hoje, pela pouca ou nenhuma iluminação. Mas que o perigo persiste, não tenham a menor sombra de dúvida.

Em Portugal, ou melhor, em Lisboa, também existem as tais ruazinhas para prazer dos aventureiros, que nada mais são que assassinos em potencial. Já agora, nesta época de turismo, elas são conservadas mais como atração, e permita Deus que seja apenas para tal fim. É um verdadeiro formigueiro humano. Em Lisboa, onde nós as vimos em abundância foi no bairro de nome Alfama.

Um pequeno se grudou no Waldemar, que não o largou enquanto não recebeu alguns escudos. Eles, os habitantes do bairro, fazem uma espécie de feira, ou mercado, nas portas das moradias, onde se vende de tudo. Flores, verduras, frutas, peixes, carnes e roupas. As casas, tipo apartamento, não tem área de serviço, pois são construções milenares, e o homem, infelizmente, veio pensar em seu próprio conforto em época bem recente. E por isso as roupas lavadas são estendidas em varais improvisados nas janelas ou nas portas de entrada. Junto às flores que enfeitam varandas, janelas e portas numa mistura encantadora de cores, formam um adorável espetáculo.

Os dois países se irmanam bem nessas paisagens. Não fosse a limpeza que os diferenciam e a antipatia que os repele mutuamente, não se faria grande diferença entre as duas belíssimas nações.

E ademais a influência moura, os devia unir ainda mais. A arquitetura é o que há de mais belo e delicado. Nos trabalhos de madeira (entalhe), é que se vê de que são capazes os árabes.

Em Sevilha, onde visitamos com vagar o Palácio, hoje desabitado, mas que foi residência de sultões e depois de Reis espanhóis (infelizmente o vândalo Carlos V destruiu e fez reconstruir a seu bel prazer, na feia arquitetura da época, aquilo que o seu mesquinho espírito fez destruir).

Mas, como disse acima, o entalhe é qualquer coisa de notável. Aquilo não é colado nem preso com pregos. É simplesmente encaixado. Os desenhos dos tetos caem em contraste gritante com o piso. Não pode existir trabalho mais delicado nem mais belo. – Só pode ter igual. – O chão é de pedra bruta, pois era todo recoberto de preciosos tapetes árabes. Foi a riqueza da imaginação e da arte que o árabe, apesar de sua rudeza, legou ao europeu dessa parte do Velho Mundo, mas que ele (o europeu), apenas mostra aos curiosos, não procura imitar.

Ontem visitamos o Palácio Imperial e hoje o Vale dos Caídos – monumento aos mortos da Guerra Civil. Fica no distrito do Escurial, onde era a residência de verão dos Reis, de quem o distrito herdou o nome.

Não vimos o Escurial (palácio) apenas a Igreja de S. Filipe que faz parte do mesmo com um Mosteiro. A Igreja é imensa, mas o que mais nos atrai é o altar-mor.

A parede é toda revestida de pinturas com cenas sacras e imagens de santos em ouro puro. Mas, apesar da beleza, o que mais realça é o Sacrário. Deve ter em todo o seu tamanho, mais de 1 metro de altura por uns 1,80 de circunferência. Todo em ouro e revestido de pedras preciosas, é deslumbrante.

Estávamos com pressa, por isso não nos aproximamos o bastante para ver melhor. E estavam a celebrar a missa. A pressa é causada pelo desejo de ver o Museu do Prado. O Vale dos Caídos fica numa montanha.

Eles, os arquitetos, devem ter dado tratos a bola para resolverem o assunto de forma a não sacrificarem o espírito da intenção (aos mortos), e nem a beleza local. Existe simplicidade, beleza e imponência. Cavaram na rocha de pedra, um túnel onde construíram a capela. Tem duas portas para se chegar ao interior, depois subir uma grande escadaria. A primeira porta é de madeira lavada, a segunda em ferro trabalhado.

Sente-se um respeito religioso como se realmente ali estivessem os bravos moços sacrificados por aquilo a que o homem dá o nome de – Liberdade!

Ao fundo fica uma cruz com um Cristo em tamanho gigante e nas laterais imagens da Virgem Maria e Jesus. Tapetes com cenas bíblicas enfeitam as paredes entre as imagens. Ao se descer a escadaria que dá para a nave principal tem dois anjos da morte, em bronze. Gigantes em tamanho e em beleza. Um pátio imenso em duas divisões, com acesso em escadarias, tem uma vista maravilhosa, sobre pinheirais e penhascos cheios de pedras.

Universidade – anterior ao reinado de Dom Fernando – Hotel Afonso XIII ou Andaluz Palace

Universidade, também em estilo mourisco, feita anterior ao reinado de Fernando de Castela (hoje Santo não sei porque) é hoje um Seminário. É grande e imponente e com todas, ou quase todas as grandes construções de Sevilha, incluindo a Catedral, as torres, ruínas de muros mouros, castelos, e o próprio Alcazar, o hotel Afonso XIII ou Andaluz Palace – tudo é de cor escura. O interessante é que nas vilas e pequenas cidades quer portuguesas, quer espanholas, a cor predominante das residências – casa comum do povo, são todas caiadas de branco. A não ser as partes novas, construções recentes, tudo o mais é idéia do Sr. Antenor: branco, só branco.

Não me referi até agora a nossa bela mãe portuguesa. É um capítulo à parte em qualquer história de brasileiros que se preze e que saiba respeitar aquela que lhe deu o ser. Portugal nos toma o coração de assalto pela beleza e simpatia.

A fidalga acolhida que recebe o brasileiro em Portugal dá-lhe o direito de pedir sempre mais. A maior emoção que senti foi ao chegarmos ao Monumento dedicado ao Infante Dom Henrique, que foi inaugurado em 1960 por Juscelino – e que (nos disse o Sr. Diamantino), a avenida que passa beirando o Tejo, se chama simplesmente: Avenida Brasília.

Imponente, orgulho de brasileiros e portugueses. O monumento que fica a sobranceiro do Tejo, como que sonhando com futuras conquistas cujos desfecho foi a nossa terra; é linda na austeridade das figuras de seus homens sérios que se propunham em fazer grandes feitos.

As avenidas e praças, grandes, largas e floridas são um prazer para o olhar desprevenido de todos nós. Assim como Lisboa nos encanta, com seus castelos, suas residências, igrejas e tudo que compõe essa belíssima capital; o seu folclore e o interior do País nos deslumbra mais ainda.

Estivemos em dois restaurantes típicos: o “A Severa”, onde no fundo do salão principal, sobre um pequeno palco iluminado e com luz indireta, se encontra uma boneca, representando a infeliz fadista que morreu por muito amar o seu Marquês de Marialva, morto numa tourada.

Lá vimos e ouvimos vários fadistas. Entre eles estava um par de dançarinos que nos presenteou, e a todos que lá estavam para vê-los, com as danças típicas das aldeias portuguesas. Não podem imaginar a beleza que é tudo isto aliada à simpatia que é nata no portugueses.

O outro típico restaurante foi “Parreirinha da Alfama”. Pelo nome e vendo o bairro vocês compreenderão que infelizmente a fama não é das melhores. O restaurante é pequeníssimo, mas requintado. Recebe gente influente desde Café Filho até Wilson Simonal. É realmente muito agradável. Servido e dirigido por mulheres educadas e graciosas. Comemos e bebemos muito bem num e noutro.

Vista do Castelo de S. Jorge ou Castelo dos Moiros, Lisboa.

Na volta à Portugal, descreverei melhor (se puder). Ainda vamos ver várias coisas. Só vimos de perto, percorremos até o Castelo de S. Jorge ou Castelo dos Moiros. São ruínas do Castelo dos árabes quando Lisboa viveu sob seu domínio durante, parece, seis séculos.

Espanha e Portugal tem tanta influência moura que se vê por toda parte a melhor herança que eles podiam deixar para os dominados: a arquitetura. É simplesmente notável. Desde um simples muro à uma trabalhada chaminé. Casas brancas das aldeias e os seus nomes como Algarve e outros. As praias portuguesas não perdem em beleza diante das nossas. Quem disse que só no Brasil existe beleza – ou é cego ou não conhece o resto do mundo!

Assim como em Lisboa, fomos a uma espécie de show aqui em Sevilha. Uma pista circular quase ao centro da sala. Ao redor, cadeiras em profusão ladeando pequenas mesas redondas onde servem bebidas. Um grupo de 8 ou 10 bailarinas dançaram representando diversas aldeias espanholas. Não tem beleza o que se vê no cinema ou televisão. As cores, a agilidade dos bailarinos, os lindos trajes típicos espanhóis faz-nos esquecer tudo o mais que não seja vê-los e apreciá-los.

As castanholas, não são um mero enfeite nas mãos dos dançarinos espanhóis. É um instrumento que acompanha a orquestra, ao bailarino e muitas vezes sola. É lindo de ver e ouvir. Entusiasma ao espectador ao ponto de fazer como o americano velhusco, que foi para o tablado e se saiu muito bem da empreitada.

 

12/Maio/71 – Espanha

15h (Europa) – Hotel de Inglaterra
Quartos bonitos, com varandas dando para a Praça de São Fernando.

Plaza San Fernando, Sevilha, Espanha.

A cidade (Sevilha) tem um movimento fantástico, toda florida e arborizada, é uma coisa boa de se ver, mas não tem simpatia, apenas atenção delicada para o forasteiro ou turista como queira.

O comércio faz com que fiquemos com água na boca de ver tantos leques, mantilhas, jóias, fazendas. Tudo muito chique e atraente.

A gente sonha em ter dinheiro bastante para carregar com boa parte e distribuí-los com os seus. Mas o que fazer? É olhar, ver e deixar para outros virem e desejarem e comprarem, se puderem.

Catedral de Sevilha

A Catedral, construída pelos mouros, é talvez o maior patrimônio histórico de Sevilha. Imensa, toma todo um quarteirão, é imponente e austera como sabem ser as coisas feitas pelos nossos avós. Pena não ser eu arquiteta para descrever melhor e verdadeiramente todas as belezas desse rendilhado que enfeita e ilustra a Catedral de Sevilha.

Dentro é imenso. Vimos, Lourdes e eu, apenas um altar. A “simpatia” da recepcionista de turismo não nos deixou nem ver ¼, apenas por não termos comprado uma entrada. Até o catolicismo explora vergonhosamente a humanidade curiosa que deseja se deleitar em desvendar as belezas dos nossos antepassados. Mas, voltando à Igreja…. no centro interno do pátio tem uma torre chamada Giralda. Toda arquitetura é em trabalho de rendilhado e no centro, de face para o pátio, tem estátuas dos 12 apóstolos ladeando a de Jesus. Essas estátuas tem mais ou menos 80 centímetros de altura. De onde se olha vê-se com nitidez toda a perfeição de que foi capaz o artista para esculpir toda aquela beleza que ainda hoje serve de admiração para o mundo.

Acabamos de sair de Alcazar. Só vendo para poder calcular a beleza, poder e delicadeza com que os árabes (mouros) construíram. Um dia, Deus o permita, vocês hão de ter oportunidade de ver. Ver fotografias.

Plaza de España, Sevilha, Espanha.

Estamos no Parque Maria Luiza. Compreende principalmente a Praça de Espanha. No centro da mesma existe uma enorme fonte com repuxos. Ao fundo, em meio circulo, um edifício em estilo mourisco, que foi construído para a feira mundial no ano de 1930 por Afonso XIII.

O Parque é imenso, quase que do tamanho do Ibirapuera. Os jardins floridos de rosas e as crianças, dão a nota humana e garrida ao lindo e imenso Parque. Cheio de pombos brancos que lembram o Espírito Santo da Igreja Romana.

Igreja de Santa Maria De La Esperanza (Macarena), padroeira dos toureiros. Pequena e bela, com seus altares recobertos de ouro, seus Santos soturnos e bem vestidos como se fossem para uma festa não muito alegre, da alta sociedade. A padroeira então, com suas lágrimas de brilhantes, sem ar de tristeza, dá a pensar que carrega todos os pecados dos matadores de touros de toda a Espanha. É linda e rica a Igreja e ao contrário das velharias em geral, muito limpa e bem conservada.

11/Maio/71 – Portugal

Estamos almoçando em Santiago, pertencente ao Distrito de Setúbal. É uma linda pousada, imitação da residência imperial. Uma sala de jantar do tamanho de toda nossa sala, uns periquitos americanos estão plantados no milharal, ao nosso lado (uma longa mesa cheia deles).

Belos arranjos de flores naturais enfeitam toda a sala, entrada, mesas com santuários, cantos de salas, cômodas e uma série de coisas enfeitadas que é um verdadeiro poema.

As mesas são servidas por moças vestidas de preto e aventais brancos, a gola branca realça o belo rosto das lindas e roliças portuguesas.

A pousada Santiago é o modelo de um pequeno feudo português.

Acima das janelas e portas, enfeitadas com finas cortinas, tem umas prateleiras com vasos (ânforas), pratos e bandejas de cerâmica e louças finas pintadas. São um verdadeiro encanto completado por um biombo pintado em motivos de anjos seráficos em lagos e florestas. Todo o chão de piso vermelho e recoberto e, sob cada mesa, um tapete quadrado de tecido grosso em verde e branco. Diz o nosso guia que a Pousada não é das melhores, nem das mais bonitas, calculem as outras como serão.

Seguimos viagem passando por encantadoras e floridas aldeias. As flores em abundância prodigiosa dão uma nota verdadeiramente poética, onde quer que o carro passe.

Os campos de trigo, de aveia, de milho, de batata, etc.. etc.. são todos sarapintados de flores vermelhas, amarelas e roxas, em profusão. As roseiras margeiam as estradas em uma confusão que nos causam emoção.

Estivemos em Sagres, onde viveu o Infante Dom Henrique. Só muito amor àquilo que se destinava fazer faria alguém viver em lugar tão árido e solitário que apesar da rudeza é lindo, espetacularmente belo. O mar batendo nas rochas escarpadas, o vento forte e frio nos lembrando como pode, um homem moço e poderoso viver e levar avante uma missão tão grande e tão nobre.

Vimos o filme explicativo (em francês), muito bem feito, muito claro, pena que o francês para nós fosse meio chinês.

Praia da Rocha, Portimão, uma paradinha entre Sagres e Faro.

Saímos de Sagres demandando a cidade de Faro. Antes passamos novamente por lindas praias. O litoral português é pródigo em belezas naturais que só há pouco mais de 10 anos está sendo descoberto por europeus e americanos que, diga-se de passagem, medra como ervas ruins em campo de aveia.

Faro, Sul de Portugal.

Chegamos em Faro cerca das 20 ou 16 horas (como diz seu pai). Jantamos às 20h30 horas e saímos para dar um pequeno passeio. O comércio é um passeio constante. Não entra carro, nem de feira.

As lojas com bem arrumados mostruários, turistas de todos os países enfeitando as ruas, inclusive nós. Fomos dormir cedo (por volta de 22h3o), pois a canseira não nos permitia mais tempo em pé.

Partimos de Faro às 9h15. Chegamos à cidade fronteira Vila Real de Santo Antônio. Atravessamos em balsa ou ferry-boat, o Rio Godiana e chegamos à cidade de Ayamonte, na Espanha. Iremos dormir em Sevilha, se Deus quiser.

Estamos almoçando (13h20) em La Palma del Condado, no restaurante La Vina. Almoçamos peixe, camarão, carnes variadas e salada. Nós, o guia Sr. Diamantino, Waldemar e Lourdes, Antenor e eu (está certa a ordem Siomara?), almoçamos bem e conversamos ainda melhor.

Viagem à Europa – Dedicatória

Fernandina em quarto de hotel em Aux-en-Provence, na França

Estou terminando o que penso que vai servir de distração e, talvez, seja útil a vocês.

É um presente, de coração, que de qualquer forma matou as minhas saudades, pois tinha idéia que estava conversando e contando as nossas proezas de marinheiros de primeira viagem; menos o Waldemar é claro, que é veterano.

Para encerrar de vez vou mostrar a vocês o que é que vale o dinheiro.  O avião em que estamos e que nos levou à Europa tem divisão para turistas e passageiros privilegiados, enquanto nós, que somos uns 16, temos 3 para nos servir: primeiro aperitivos com salgadinhos, em mesinhas forradas com um alvo guardanapo, depois o jantar em uma bandeja regada a vinho, depois queijo, licor e café.  Lá é uma dureza danada, se tomar aperitivos paga.  A mesinha não é forrada, só a bandeja com o jantar, depois o café.  Ao invés de duas pessoas, como aqui, são três lado a lado e para dormir é um Deus nos acuda.  Pagou mais, tem conforto.

Adeus gente, desculpem os erros, Rui Barbosa não era o meu tipo – muito feio.

Fernandina C. Farias

Estátua do poeta Bocage em Setúbal.

Doou-me Phebo aos séculos vindouros
Deponho a flor da vida e guardo o fruto
Pagando à vil matéria um vão tributo
Retenho a posse de imortais tesouros

Este com ordem se ufana a pedra erguida
Ah! Se encontrou com sonoras cores…
Já Bocage não é! Não sois amores!…
Chorai-lhe a morte e celebrai-lhe a vida!

Um nume só terrível ao tirano
Não a triste imortal fragilidade
Eis o Deus que consola a humanidade
Eis o Deus da razão, o Deus de Elmano

De Elmano eis sobre o mármore sagrado
A lira em que chorava ou ria amores…
Ser d’eles, ser da musa foi seu fado
honrai-lhe a lira vates e amadores!

(Estes versos estão escritos ao pé da estátua de M. M. Barbosa du Bocage,
na cidade de Setúbal – Capital do Distrito)

BRINCADEIRA DE RODA

Oh! Rosa, rosa, amarela,
Oh Rosa, amarela eu sou
Oh Rosa, rosa amarela
Rosa branca é meu amor.

Sacudi meu lenço branco
Por trás da sacristia
Bateu na cara do padre
Isso é mesmo o que eu queria.

Oh Rosa, rosa amarela….

Sacudi meu lenço branco
No buraco da parede
Quando vejo meu benzinho
Bebo água sem ter sede.

Oh Rosa, rosa amarela….

Menina, minha menina,
Cabeça de melancia
Um beijo da tua boca,
Me sustenta 15 dias.

Oh Rosa, rosa, amarela….

Sete e sete são catorze,
Três vezes sete, vinte e um
Quem quiser que assoletre
A paixão de cada um.

Oh Rosa, rosa amarela….

A laranja de madura
Caiu n’água, foi ao fundo
Os peixinhos responderam,
Viva D. Pedro II.