Memórias da Vovó Dina – NILCE E GRANJA – AIDIL E PAULO

Duas irmãs completamente diferentes no gênio e no modo de ver a vida.

Nilce amava o primo a quem ela chamava Duardinho, mas ele não dava mínima a ela.
Edvaldo vivia com a mãe e um irmão. A Nilce tinha mais irmãos.

D. Ester ficou viúva quando Aidil era menina ainda. Devia ter uns onze anos. Foi uma vida sacrificada da pobre mulher.

Mas voltando às duas: o Edvaldo um dia foi me visitar e eu o interpelei sobre a Nilce: – Por que ele não a queria, sabendo do amor que ela nutria por ele?

Ele prometeu pensar no assunto e…. casaram para felicidade deles e aborrecimento da Olivia, mãe do nosso protagonista.

Casado o outro irmão, Edberto, a mãe em má hora foi morar com eles. Acontece que a nora não se “bicou” com ela. Então o “cristo” foi a Nilce.

O Edvaldo trabalhava no B. B. e foi indicado para União.

Fomos para lá. O Anthenor era inspetor (não sei se era esse o nome) de subagências. Fomos para União de mala e cuia. Aonde ele ia, levava a família.

Gostei muito principalmente por causa da Nilce.

Um belo dia encontrei-a chorando. Quis saber o motivo e ela me disse do desprezo com que a sogra a tratava.

– Por que você não conta a Edvaldo, Nilce? Afinal de contas ele é seu marido e filho dela.

Foi o que a menina fez. Ele foi me ver e contei tudo que estava acontecendo em sua casa.

Ele falou com a mãe e eu arranjei uma inimiga.

Aidil casou com o Paulo e Anthenor o trouxe como contínuo para o B.B.

Não tiveram filhos, mas em Itajubá a casa deles era o escoadouro dos meus filhos mais velhos. Também foi para mim um grande braço direito nos momentos em que mais necessitava.

Quando eu tive Haydée em Ouro Fino, a tia Haydée me disse que tendo outro filho, não a chamasse mais. Levei a recomendação ao pé da letra e quando foi para a chegada da Siomara, pedi a Adalzinda, mulher de Ernesto Jatobá que me viesse ajudar.

Depois desse drama é que chegou Aidil em Itajubá.

Que Deus na Sua Bondade infinita os abençoe a todos, estejam aonde tiverem.

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Memórias da Vovó Dina – parte 30

Rodrigo, Alberoni, Anajas e Haydée (Minas Gerais)

Em Minas Gerais a nossa vida deu um grande salto para melhor. O vosso pai foi como contador do Banco. O moço que ele foi substituir deu ás de Vila Diogo, como já disse, nem a casa deixou para nós. Fomos para uma casa velha caindo aos pedaços que nem móveis tinha. Não fosse a bondade e atenção dos clientes do Banco…

Mas graças a Deus tudo se arranjou. A tia Haydée, que havia ido conosco, foi o anjo bom de todos. Também estava conosco a Ester, que já havia trabalhado comigo em Rio Largo.

Failde, Anajas e HaydŽée

Lidar com o fogão à lenha pela primeira vez foi um Deus nos acuda. Lavar panela com fumaça de lenha não é fácil! O nosso arranjo foi lento, mas seguro. Ganhei uma geladeira que, confesso, não sabia como usar, mas com o uso me ajudou a compreender a utilidade daquele monstro branco.

Na primeira casa que moramos a copa era minúscula e não cabia a dita cuja. Ficou na sala de jantar que era grande.

Voltando a falar da Ester – quando ela chegou (isso aconteceu em Maceió) a minha avó Januária chamou-a para propor trocar o nome dela, pois tinha a tia Ester com o mesmo nome e assim iria atrapalhar! Judiciosamente ela respondeu: – Por que não troca o da sua filha? É mais fácil.

Vê lá se a vovó ficou satisfeita?!

Essa criatura, que Deus a tenha, tinha o hábito de tomar banho à noite. Ora, Ouro Fino é uma cidade muito fria. Ela se banhava e ia pentear-se no lado de fora. Chamei-lhe a atenção mais de uma vez e ela me respondia que, quando morresse, era defunto. O banho era quente. Resultado: tuberculose. Quem descobriu foi tia Haydée. Foi ao quarto dela e viu sangue no urinol.

Anthenor conseguiu um sanatório e lá, pouco tempo depois, morria a pobre Ester.

(continua… aguarde a próxima postagem de Minha Vida)

Memórias da Vovó Dina – parte 29

Viajamos para Ouro Fino de avião até São Paulo, o nosso compadre Manuel Lucas foi nos esperar no aeroporto e logo se apossou da Anajas, que tinha 3 meses. Dormimos lá, depois de um farto jantar e no outro dia, logo cedo, fomos de ônibus para o nosso destino.

Lá estava nos esperando o nosso dileto e também querido amigo, Antonio Machado. Havia sabido no banco da chegada dos alagoanos, donde ele e ela, a mulher e a filha mais velha, provinham. Ele foi para nós um verdadeiro esteio. Ajudou-nos em todos os sentidos. Ele e a mulher, a Neném foram os maiores amigos que tivemos por toda a vida deles.

Anthenor havia sido nomeado contador do banco, mas na véspera da nossa chegada, o gerente tinha dado “ás de vila Diogo”. Descobriram-no com a mulher de um figurão lá’ de Ouro Fino no porão do banco e eles fugiram para não sei onde. Deixaram ambos respectivos cônjuges e filhos… e dizem que a paixão é incontrolável e assim, se juntaram os dois na maior besteira que um homem e uma mulher fazem nesta vida. O resultado, dizem, que se separaram. Não sei e nem me interessa saber, só peço a Deus que tenham juízo e vergonha.

Para substituir o fujão, veio um casal do Rio. Marido, mulher, dois filhos e dois sobrinhos. Até aí, nada demais. O “demais” é que gostavam de jogar cartas. Uma noite pediram para jogarem lá em casa. Ficava feio dizer não. Por isso foram uns 5 ou 6, não me lembro quantos e ficaram jogando até umas 10 horas da noite. Anthenor e eu sentados fora, vendo aquele absurdo em nossa casa.

Quando terminaram, não sei quem ganhou ou perdeu. Ao saírem, a Zelinda, mulher do gerente, me perguntou quando podiam voltar. Eu lhe respondi: – Sinto muito, mas dia nenhum. Nem eu, nem meu marido jogamos e apreciar jogo não é o nosso forte.

Ela deixou de falar comigo. Fiquei muito “triste”por isso.

Haydée

Na época da minha operação em Belo Horizonte, fui uma noite assistir uma reunião espírta em casa de um senhor que trabalhava no Banco. Um belo casal: ele e Maria Leonor. Éramos somente nós três. Veio pai João e perguntou-me se eu queria pedir alguma coisa. Ele falava meio português, meio africano e a Maria Leonor era quem traduzia. Eu disse que gostaria de sair de Ouro Fino. Era uma boa cidade, mas a vida lá era muito livre para adolescentes e a minha casa era cheia deles. Deus sabia o medo que nós tínhamos. Jogo e outras coisas eram permitidos.

Infelizmente era verdade. Hoje não sei. Espero em Deus que tenha melhorado. Aconteceu tudo isso no começo do ano. Uns dois meses depois uma carta da Maria Leonor dizendo que pai João mandava-me dizer que me preparasse, porque em breve sairíamos de Ouro Fino.

Em dezembro de 49, nasceu Haydée Ariani. Eu não podia parar. Era contra a minha lei.

(continua… aguarde a próxima postagem de Minha Vida)

Memórias da Vovó Dina – parte 28

Nasceu o Flavio Alberoni no dia 2 de maio daquele ano na Maternidade Lessa de Azevedo em Maceió, de parto normal.

Houve uma cena interessante: ao lado do meu quarto tinha uma moça aos gritos quando vinham as dores. Gritava que era uma beleza! A mãe aconselhava-a:

– Não grite minha filha, isso é assim mesmo.

Não houve conselho até a hora do parto; eu numa sala e ela na outra, nasceram as crianças quase ao mesmo tempo.

Chegou o dr. Paulo Neto para ver se estava tudo nos conforme e me perguntou:

– Não quer trocar? A sua vizinha teve uma menina. – Respondi:

– Não doutor, para ser gritadeira como a mãe, não senhor, prefiro meu homenzinho.

Quando Anthenor voltou do Sanatório, devido ao calor de Maceió, fomos passar o período de sua volta ao banco em União dos Palmares. O clima de lá é mais ameno. Lá fiquei grávida da Fernanda Anajas. Fiquei preocupada, principalmente  pela situação financeira.

Loucamente tomei um chá que me ensinaram… e quando foi de madrugada vieram as regras. Fiquei meio louca de arrependimento, levantei e me ajoelhei chorando, pedindo perdão e rogando a Jesus que não consentisse naquela loucura de abortar. Suspenderam as regras e aí está a nossa Anajas, o anjo bom da nossa vida. Não quero dizer com isso que as outras, ou melhor, os nossos filhos não sejam o ideal que qualquer pai ou mãe desejem possuir. Eles são a nossa alegria, a nossa felicidade.

Anthenor e Anajas, Ouro Fino, Minas Gerais, 1948

Que Deus os abençoe hoje e sempre.

Fomos para União em novembro ou dezembro e voltamos a Maceió em janeiro, que seria a volta de Anthenor ao banco. Chegava do trabalho molhado de suor. A gripe não o largava. Passei a lhe aplicar injeções na veia por ordem médica, para que ele pudesse se fortalecer.

Até que ele resolveu ir ao Rio de Janeiro conseguir algo que o clima o ajudasse a viver mais feliz e sadio.

Nesse ínterim, nasceu Anajas. Quando estava para fazer 3 meses, fomos para Ouro Fino. Isso aconteceu em outubro de 48.

Houve, nessa época, um fato interessante: estávamos sem recurso quase nenhum. Estava toda a família em casa da minha avó. Para viajarmos decentemente, precisávamos de tudo, roupas e etc. Vocês entendem o etc, não?! A Fernandina nunca foi de ganhar nada em sorteio. Por uma daquelas coincidências que nós chamamos de acaso, havia em meu nome, coisa que eu não sabia, diga-se de passagem, uma apólice da Sul América Capitalização. E não é que na hora de mais necessidade, a mulher de Anthenor foi sorteada com 10.000 réis, o que para nós, era uma fortuna?.

É assim que o Pai nos dá a prova da Sua Infinita Misericórdia.

Foi uma festa! Criamos alma nova e fizemos a farra, comedidamente, mas uma linda farra. Convidamos até a tia Haydée para vir conosco. E com o apoio da tia Ester e da vovó, ela aceitou.

(continua… aguarde a próxima postagem de Minha Vida)