18/Maio/71

Estamos saindo de Zaragoza – andamos que só má notícia, guiados pelo “perdigueiro” Antenor, para conhecermos a cidade em expresso canelinha. Ele queria encontrar a Catedral de Nossa Senhora Del Pilar e o que encontrou foi fundos de casas e vielas – vimos depois a bela Igreja com orientação do Sr. Diamantino.

Paramos um pouco em Lérida para o carro tomar “gasosa” ou gasolina como deve ser chamada por nós. Tomamos um cafezinho, Lourdes e eu. O Waldemar um Campari e o Sr. Diamantino um leite.

Ao sairmos de Zaragoza a paisagem mudou completamente. Do lado esquerdo, montes e montanhas de pedra, cobertas por uma vegetação que parece ser reflorestamento.

Fizeram na Espanha o mesmo que acontece com Minas Gerais. Não existe floresta nesta parte do País – Noroeste – É tudo seco, árido.

Do lado oposto, são campos cultivados. Trigo, uva, cevada, pastos, pêssego, que sei eu?

Enquanto em Portugal os campos cultivados com cereais são entremeados de árvore da cortiça, olivais, parreiras, pereiras e etc., aqui não existe cortiça. Existe mais pereiras, oliveiras e pessegueiros. Mas as flores de campo – papoulas vermelhas, margaridinhas brancas e amarelas, urzes azuis, florzinhas roxas, são iguais nos dois países. É um encanto! Para nós, que não somos poetas, nos faz falta rimar para enaltecermos tanta beleza natural!

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Entre Guadalajara e Cifuentes

Ótima comida, ótimo vinho, bem servido, local campestre ao lado de um trigal. Me deu vontade de lá ficar o resto do dia, pois lá fora estava chovendo e um frio de rachar. Felizmente ao entrarmos em Zaragoza o tempo melhorou. Os filhos desta terra devem ter um orgulho enorme dela.

Primeiro por ser terra de Goya, o grande pintor, e segundo pela simpática atração que nos inspira.

Zaragoza

Zaragoza, vaga ao primeiro golpe de vista. Como entrada de cidades, quer grandes ou pequenas, dá-nos má impressão com seus edifícios de apartamentos, com florestas de antenas de televisão nos telhados. Mas à proporção que vamos entrando, descobrimos que Zaragoza é uma mulher bonita, vestida para um baile de máscaras. Tirar-se-lhes a máscara e se apresenta a beleza que é a terra de Goya e do Rei Fernando, o católico. Pena ficarmos tão pouco aqui. As galerias no centro comercial, dão um ar festivo à linda avenida em que se localizam.

Chegamos às 7h da tarde (em dia de sol, às 9h ainda é dia) e jantamos às 9h30, ou seja, 21h30. Saímos para fazer o quilo, como diz o Antenor, e fomos ver as galerias.

Na volta tomamos chá com torradas. O Waldemar tomou um conhaque quente (ficou fumaçando que só locomotiva). Regressamos ao hotel à meia noite.

Notamos que alguém esteve em nossos quartos. A luz do nosso estava acesa e no dos amigos rasgaram o involucro de uma cesta de doces que o Waldemar havia comprado e de certo tiraram algum, pois esta gente não tem anda de boba.

Não sentimos falta de mais nada. Deus queira que dê uma dor na munheca do sem vergonha que fez isso toda vez que for mexer no que não deve – a Lourdes sentiu falta de uma moeda, presente de filha.